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Os Heróis do 19

Os Heróis do 19

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Os Heróis do 19

 

Não há palavras. Não há uma frase ou discurso que seja capaz de dizer tudo o que sentimos. Toda vez que um colega de farda nos deixa, no cumprimento do dever, tombado por criminosos na batalha diária do front, tendemos ao silêncio. Este silêncio que não é só respeito, é solidariedade e indignação, angústia e dor. E também uma tristeza tão ampla, tão densa e absurda que nos faz rever, mesmo que sem intenção, todos os ideais de proteção à sociedade que juramos um dia, ao aceitarmos ser policiais. Ninguém sobrevive à tragédia sem deixar pedaços incólumes de si pelo caminho.

O que aconteceu aos soldados Rodrigo da Silva Seixas e Marcelo de Fraga Feijó não é o que esperamos de uma sociedade que labuta todo dia em busca de paz e cidadania. É o erro. É o absurdo. É o desdenhar da regra mais básica da humanidade que é amar ao próximo. Alguns homens e mulheres escolhem proteger o mais sagrado direito que é o da liberdade e da vida. E optam por se arriscar, todos os dias e noites, mesmo que na onda contrária das modas e consumos, a vida ao combater em nome da dignidade, da oportunidade e da liberdade de escolha tudo que é ceifado de gerações inteiras de nossas famílias por traficantes de drogas e outros criminosos da mesma estirpe. Mesmo que eles fiquem apenas uma ou dias noites na cadeia e voltem mais informados e bem armados para cometer seus crimes. Mesmo que esses criminosos joguem na cara dos policiais serem amigos desta ou daquela personalidade. Mesmo que os salários estejam parcelados e as dificuldades a cada mês sejam maiores. Esses caras, que defendem suas famílias e seus amigos, caros leitores, não recebem qualquer tolerância ou compreensão do sistema. Mesmo assim, levam ao pé da letra o sacrifício da própria vida.

Brandão, guerreiro de anos do POE do 19º BPM, mal consegue falar sobre o que aconteceu. Um amigo morreu em seus braços. A última mensagem que recebeu no whats foi de seu parceiro que partiu. Sua esposa, a Soldado Francieli, me conta que ele está abalado demais. E alguém espera outra coisa? O pelotão é uma família, decidida a combater o crime, decidida a enfrentar criminosos sem limites, decidida a proteger cidadãos que nem conhece. Os dois colegas que partiram, amigos deles, estavam sempre prontos para qualquer missão, sem dia ou hora pra entrar de serviço. Feijó era um sujeito detalhista. No seu sepultamento, o coturno caprichosamente limpo sob o caixão mostra seu apreço com os detalhes do serviço. Era extrovertido e gostava de relembrar suas histórias dos tempos de PE, no Exército, com os colegas. Rodrigo era mais reservado, mas também extremamente dedicado ao serviço. E não pensou duas vezes ao tentar salvar seu colega. Eles eram heróis. Ao pé de letra. Guerreiros do bem. Combatentes contra o mal. Heróis anônimos, sob batalhas diárias, incógnitos até que uma tragédia os relevou ao mundo. Nossa continência ao Rodrigo e ao Feijó. Às famílias. E aos policiais que honram sua missão todos os dias nos quatro cantos deste país.