Oscar Bessi

Os melhores livros que li em 2016

top6

Alguns leitores e amigos meus me pediram que fizesse uma lista dos Top 10 de 2016. Uns queriam que eu restringisse à literatura nacional. Outros, apenas falasse de livros. Eu confesso que não sou muito a favor de listas, não por desprezá-las - ao contrário, pesquiso com frequência quem são os melhores, ditos por este ou aquele, porque aí fico curioso caso não conheça a obra. Faço isto com livros e séries, adoro as listas TOP. Só nunca fiz uma. E por um motivo bem pessoal: tenho muito medo de esquecer alguém.

Pois bem, aqui vão meus TOP 6 de 2016. Não dez, apenas seis. E me perdoem se falarei sobre tão poucos, apesar de ter lido muitos livros. Mas é um critério pessoal, subjetivo. Não sou professor de literatura, apenas um leitor. Exigente. Também não me peçam explicações técnicas rebuscadas: gosto, acho o máximo, ou não gosto e acho chato, ou fraco, ou coisa que o valha. E não descarto ter esquecido de algum bom título, afinal, li mais de 50 livros durante o ano (o lado bom de ter lidado com problemas de saúde, havia momentos de repouso). E tenho outros 50 na fila de espera, parte deles lançada em 2016.

  1. MISTÉRIO NO CENTRO HISTÓRICO, Tailor Diniz, Editora Dublinense: a capa já seduz. Dizem que, para o consumidor de livros, a capa influi muito. Pois o capista desta obra foi inspiradíssimo, Humberto Nunes, com foto de Andre Feltes, tanto na montagem em si quanto a distribuição das cores. É um livro charmoso, atraente, irresistível. E o título chama! Bom, mas interessa, também o conteúdo: a trama envolve tato o leitor que é impossível parar de ler. E acompanhar Macedônio, nosso conhecido Walter Jacquet, o Waltão, é um deleite. Delícias culinárias, reflexões sobre segurança pública, aulas de uma oficina literária e ação, muita ação. Foi o livro que mais me deixou com vontade de "quero mais". PS.: Fiquei fã do Oscarito!

  2. PAISAGENS DE OUTONO,  de Leonardo Padura, Editora Boitempo. Desde que conheci a obra deste cubano, em especial as aventuras do Tenente de Polícia Marcio Conde, fiquei fã demais e corro à livraria cada vez que chega um lançamento seu. Agora exagerei: apaixonado pela nova edição, comprei a coleção toda e suas belas capa padronizadas. Muito a ver com a série "Quatro estações em Havana", inspirada nesta coleção de livros. É outro que a gente fica pedindo mais, que traz consigo uma densidade impressionante. E o melhor: Cuba vista por dentro, sem o panfletarismo sectário e o monóculo dos partidários de lá e de cá. Padura é um grande intelectual por isto, por amar o que é de sua terra, mas ser sincero e desnudar os problemas da ilha. E a história, em si, traz os temperos de todos os demais livros da coleção, ou seja, suspense, reviravoltas, gastronomia, reflexões profundas sobre um povo pobre e sem perspectiva, realidade nua e crua, isenta. Além de muita humanidade em suas personagens. Muito bom, como sempre.

  3. JANTAR SECRETO, Raphael Montes, Editora Companhia das Letras: Raphael já é um clássico. Este jovem escritor navega pelos mares bravios, e cheios de tempestade, da literatura brasileira e se porta como um veterano marujo, sal na barba e firmeza dos que conhecem a fundo sua lida. Sucesso internacional, sucesso na TV, no cinema e onde mais se pensar numa boa história. desta vez, o autor de "Dias perfeitos"outra vez pega o leitor pela mão, abre as cortinas de um mundo aparentemente normal, onde jovens lutam para pagar faculdade, aluguel, essas coisas de todos nós. De repente, vem a escolha. Aquela escolha. E a partir daí tudo é um circuito mirabolante de reviravoltas, intrigas, corrupção, despudor e maldades. A vida real, nua e crua e servida com os temperos picantes que permeiam nossas carnes, vivas ou mortas. Fantástico!

  4. A PONTA DO SILÊNCIO, Valesca de Assis, Editora Besourobox: eis um livro belíssimo. Denso, tenso, carinhoso, ao mesmo tempo duro e poético. Valesca mergulha no mundo da mulher que é vítima de violência doméstica, e este mergulho se dá da forma mais humana possível, na percepção dos detalhes que só a alma do artista percebe e sabe repassar, sabe fazer sentir como se estivesse ali, na vida da personagem, compartilhando suas dores e angústias. Num tema tão delicado, seria fácil escorregar para o sensacionalismo, para o tom professoral, para a cartilha de segurança ou o manifesto feminista. Nada disso. É literatura da melhor qualidade. É poesia e prosa nessa mescla que só os grande autores sabem fazer. Altamente recomendável, a sua leitura!

  5. BARATAS, Jo Nesbo, Editora Record: um dos grandes detetives da literatura mundial é Harry Hole. Já merece, há muito, uma série na TV. Particularmente, gosto da sua paixão pelo trabalho e da forma como que enfrenta - sem sempre conseguir vencer - suas próprias fraquezas. É um personagem que dá nos dedos de quem diz que escritores nórdicos são gelados. Ali, o ritmo é denso, tenso, as reviravoltas são o ingrediente máximo do suspense que Nesbo se tornou um dos mestres, mas há como perceber qualquer humor, vez ou outra. O único problema de Baratas ter sido lançado só agora, em dezembro de 2016, é que este na verdade é o segundo livro na série original publicada na Noruega. Baratas, lá, saiu em 1988. Mas isto não tira o brilho - ao contrário, nos faz conhecer ainda mais a complexidade deste personagem tão cativante. Um embaixador é assassinado, a família esconde muita coisa e ninguém parece querer saber o que de fato aconteceu. Aí, quando a hipocrisia do sistema entra em campo, Harry Hole ganha ainda mais combustível para ir atrás da verdade.

  6. UM PASSO ATRÁS, Henning Mankell, Editora Companhia das Letras. Publicado no Brasil um ano após a morte do autor, é mais um livro da série impecável com o detetive Kur Wallander, que também protagoniza série no Netflix que leva seu nome. É livro pra ler ao som de uma boa música. Três amigos se encontram numa reserva natural fantasiados com trajes do século XVIII para celebrar a noite mais longa do ano. O que não sabem é que estão sendo observados. Cada um deles acaba assassinado com um único tiro. Quando um dos mais confiáveis colegas de Kurt Wallander - alguém com quem ele contava para resolver o caso - também aparece morto, o inspetor logo desconfia de uma relação entre os dois crimes. Recuperando-se da morte de seu pai e obrigado a encarar o declínio da própria saúde, Wallander tenta desvendar os planos do assassino. Gostei tanto que, a exemplo do mais recente livro de Padura, este me fez iniciar uma releitura de todas as obras anteriores do  Mankell.