Oscar Bessi

Os Novos Machões

metro-sexual

Cientistas anunciaram que o cromossomo Y, aquele que determina o sexo masculino, pode simplesmente desaparecer com o tempo. Já não bastava sumir a baleia azul, o mico-leão-dourado, o papagaio-da-patagônia a e o politicus-honestus, o homem macho - o hétero ortodoxo, ainda que sem preconceito - também corre risco de extinção. Pois é. Coisas da evolução genética. E eles avisam, é bom a mulherada correr. Pode faltar homem antes mesmo do que água no planeta.

Nos grandes centros urbanos, segundo psicólogos, os conceitos de masculinidade estão mudando radicalmente. Valores diferentes, o frenesi cotidiano e, veja só, até influências comportamentais derivadas da tecnologia (e eu, que não largo o meu celular por causa de um joguinho de dragões dourados e... sei lá, né!).

O certo é que, no meu tempo de guri, macho, que era macho, dizia uns três palavrões por segundo, cuspia em qualquer lugar, coçava as partes antes mesmo de escovar os dentes pela manhã e xingava a mulher até quando ela ia na missa. Odiava Caetano Veloso, fazia barba com canivete e não passeava na rua com bichinho no colo. A naõs er que fosse uma caça abatida. Comia churrasco gordo e feijoada, que isso de dieta era coisa de mulherzinha. Não abria livro do Paulo Coelho ou Revista Contigo e só torcia pro Grêmio se fosse o de Bagé. Mel no pão? Preferia mastigar a abelha. Era o dono absoluto da poltrona – afinal não tínhamos controle remoto - e, som hipótese alguma. chorava. Nem com gás lacrimogêneo em protesto contra a ditadura - que macho, que era macho, não se metia em passeata de cabeludo. Muito menos virava ambientalista. Ou emo.

Hoje, o Novo Machão é eclético. Usa cremes, depila até o sovaco, vê novela – alguns exageram e vêem reality show -, é comportadinho e só bebe suco diet. Lê todos os e-mails com nuvenzinhas e flores que recebe, desejando boa semana. Pior: encaminha aos amigos. Toma chá depois do almoço, tem brincos em lugares estranhos, fica em cima do muro quando a ignorância com solta nas redes sociais e ainda faz pose pra selfie. Em casa, é uma Amélia. Cozinha, passa, lava e, se der mole, ainda desliga a tevê na hora do futebol.

Na hora do futebol!!!

No trabalho, é quase uma normalista. Bota até o papelzinho no lixo. E não fica de olho nos silicones da secretária.

Confesso, há certos preceitos do novo machão que me atingiram. Não deu para escapar. Sabe como é, competição de mercado, essas coisas, preciso me enquadrar. Algumas coisas do machão antigo eu nem gostava mesmo. Gosto da nova versão. Mas, claro, sem radicalismos. Pelo mesmo ainda não li certos livros do Paulo Coelho. Um ou outro, admito que até gostei. Um ou outro, eu disse.

Afinal já passei dos 40 e preciso me preservar.