Charge: Sinfrônio - www.sinfronio.com.brNão é de hoje que o brasileiro sofre com o medo a imprevisibilidade e banalização da violência. A gente teme pegar ônibus, ir ao banco, sair cedo, sair tarde, pegar estrada e por aí vai. Mas se vive mesmo assim. E se morre, cada vez mais, ano a ano. O diagnóstico é cada vez mais negativo, os índices pioram, a qualidade de vida ruma a passos largos para a insanidade. Por que o brasileiro sofre há tanto tempo com os mesmos males e estes, em vez de se atenuarem, só se agravam? Simples. Desinteresse dos governos. A violência é ótima para discursos de campanha, para sensacionalismo mercantilista, para negócios escusos e para torrar dinheiro público em seminários, fóruns e congressos que, afora encher os bolsos de uns e outros, nunca saem do blábláblá. Está aí. Discussões sobre segurança pública há por todos os cantos. Especialistas, que sequer sabem como a banda toca, existem aos bandos. Mas tudo segue na mesma batida cruel há anos.
Os “governos democráticos” do país arriscam a sua anunciada conquista maior, que seria a liberdade cidadã, ao desprezar a segurança do indivíduo e do coletivo. Um emaranhado de leis combinado com essa certeza perene da impunidade – pois não é a intensidade da pena que inibe o criminoso, mas a certeza de sua aplicação. Eis essa guerra de facções em presídios: o incompetente estado brasileiro não consegue controlar nem a sua gente encarcerada num caixote de poucos metros quadrados, a princípio vigiados e cercados. Nem isso. O que dirá lá fora. Nos últimos governos brasileiros, vimos a criação de um elenco de ministérios quase infinitos, para beneficiar correligionários e aliados com polpudos CCs pagos pelo povo. Ministério da Segurança Pública, alguém ouviu falar? Não. Nunca foi prioridade.
Agora vem o tal Plano da Segurança. Mais um paliativo sem a mínima intenção de resolver o problema, ao que parece. Pois paliativos nunca resolverão os problemas. E a gerência deste país já teve tempo suficiente para começar a resolver isto, do medo e da insegurança. Governos ficaram tempos generosos no poder, fizeram de tudo, mas não fizeram o essencial. E não se fez porque não se quis, até hoje nunca se quis. Perguntem, por exemplo, o que consta do Plano da Segurança no que se refere à educação? A parar com essa fábrica de bandidos? Nada. Na Colômbia, cidades afetadas pela violência do narcotráfico investem em torno de 40% do seu orçamento em educação e cultura. Aqui? Nem se toca no assunto. Vai resolver? Não, vai se jogar homens na guerra, só isto. A segurança, no fundo, não tem plano. Mas a insegurança tem os seus, podem apostar.
