Oscar Bessi

Os terroristas e a nossa estupidez

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Quem seguiu a dica da coluna e leu “Mistério no Centro Histórico”, mais novo romance policial de Tailor Diniz (Ed. Dublinense), deve ter levado um susto. Marquises mortais que desabam no centro da capital gaúcha, um terrorista caçado pela Polícia Federal lá pros lados do sul do estado, autoridades enroladas na minimização dos fatos. Será Tailor um desses clássicos escritores de best-sellers internacionais que trazem, consigo, o dom da premonição? Não sei. E sou suspeito para falar: sou fã de carteirinha, leio tudo que Tailor escreve até em rede social. Mas recomendo que, além de degustar sua boa literatura de reflexão e entretenimento, abramos as comportas do alerta. Já estou até preocupado com o que li do Tailor em “A matéria da capa”.

Ficção à parte, a realidade pode ser bem mais perigosa. O Estado Islâmico está ferido, é fato. E quer vingança. A França virou o inimigo número um, mas tem mais gente bombardeando suas bases e fontes de renda - ou extorsão. Querem reagir e mostrar força em nome de Alá. O Brasil é o país ideal para um atentado: continental, múltiplo, sem controles sérios, dominado por bandidos de todos os naipes (e níveis sociais), corrupto por excelência e cheio de loucos a fim de quinze minutos de fama. Além do mais, o povo brasileiro odeia controles, polícias, restrições e toda forma de fiscalização. Uma abordagem policial, para o brasileiro, não é ato necessário à preservação da ordem social e um gesto de proteção. Ao contrário. É uma ofensa. Basta abordar alguém, em local público, e a polícia é vaiada, ofendida, agredida e acuada.

O mundo sabe disso. Debocha da gente. Conhece a estupidez dos brasileiros que ainda não entenderam o verdadeiro conceito de liberdade, que é aquela que se encerra onde inicia a do outro. Pode-se tirar uma febre pelo comercial bizarro que corre o mundo, para divulgar as Olimpíadas: um menino diz um palavrão aos policiais, que são lerdos, barbudos, mal-encarados e boca-abertas, mas submissos a um Ronaldinho Gaúcho que, claro, não estava de moto na favela para comprar drogas, isso nem existe. Aliás, a favela da propaganda é centro esportivo até de esportes que nunca vi entre os nossos, e não um reduto de miseráveis acuados pela sociedade elitista e asfixiados por milícias e traficantes de fuzil. E todos ajudam o garoto porque ele foge da polícia, então está com a razão, não importa nem saber o que houve. E o menino “favelado” é um loirinho de cabelos encaracolados, ofensa ao povo real, negro e pobre, ao Estado brasileiro, às policias que correm risco de vida defendendo, todos os dias, essa gente que a despreza, mas manda na mídia tradicional. O Estado Islâmico também sabe disso. E não vai usar dez otários que mal sabem esconder suas mensagens na internet. Se eles vierem, e talvez venham, estarão montados nas costas dessa nossa arrogante ignorância.

(coluna de edição impressa de sábado, 23/7/16)