Oscar Bessi

País de atentados políticos e políticos atentados

Anda feia, a pegada. Coisas da democracia? Não teria sentido, se fosse. A liberdade de escolha e manifestação, porém, corre tantos riscos quanto nos tempos das ditaduras várias que já vivemos.

No Rio de janeiro já foram 14 mortes de candidatos ou pessoas envolvidas com candidaturas. A mais recente foi a do presidente da Portela, um PM, licenciado para concorrer, que há pouco tempo esteve envolvido em algumas histórias obtusas sobre milícias e pleiteava uma vaga como vereador do Rio. Foi executado em seu comitê.

Ontem, uma nova execução chocou os brasileiros: no interior de Goiás, um candidato a prefeito foi morto com um tiro na cabeça quando desfilava em sua carreata pela cidade. O vice-governador do estado estava junto e também foi baleado, mas não corre risco de morrer. O assassino foi morto, assim como um PM que fazia a segurança do governador goiano.

Bangue-bangue. Faroeste. Pistolagem. Máfias em guerra. Eis mais um triste painel no já combalido cenário político brasileiro. Outras violências pipocam pelos rincões do país. São agressões, ameaças, chantagens, indústria para fabricação de mentiras tecnológicas e manipulação de dados, assédios de todos os tipos, distribuição de informações erradas aos menos providos de esclarecimento e por aí vai. Triste, muito triste. E pior: com todo o novo regramento jurídico, o caixa 2 segue sim, firme e forte, agora ainda mais respaldado como um instrumento para os que já detém algum poder na mão.

Espertos, esses políticos das velhas práticas, não?

Os atentados políticos são o extremismo. O terror instaurado. O vale-tudo decretado como justificável. E o que vitima políticos hoje começa na prática que eles mesmos disseminam. Ganhar a qualquer preço, vencer sem qualquer escrúpulo, eis que o que está em jogo não é a vontade de fazer pelo seu povo, mas o que o suor do seu povo pode fazer por ele. E pelos da patota dele.

Em qualquer lugar que reinem as máfias, o povo sofre. O povo perde. A liberdade não existe de fato.

E os de boa intenção, como ficam? Sim, eles existem. Mas chega a dar dó vê-los enfrentar tudo isto armados apenas de sonho e conhecimento. Uns triunfam, a maioria não.

Que feio, Brasil. Mas, pelo menos, ainda há a oportunidade de mostrar nas urnas que não se aceita o crime como dono do poder.

Mas, aí, tu não podes vender teu voto, caro leitor. Nem aceitar promessas de vantagens. Nem acreditar que de um lado ou de outra terá mais vantagem - as vantagens precisam ser coletivas, para todos. Ou nunca passarão de enganações.