A gente respira aliviado ao saber que a menina de 05 anos, que havia desaparecido numa pescaria com os pais em São Francisco de Paula, está viva. Depois de quase uma semana sozinha, perdida no mato. Por que sofrimentos passou esta criança, meu Deus! A gente se emociona só de pensar. Quer dizer, se emociona quem se importa, que não gosta de ver crianças como vítimas de violências. E é impossível, também, não ficar pensando em como ela desapareceu. Certo, não querermos julgar ninguém, mas é óbvio: quem é que deveria estar cuidando dela e não cuidou? No mínimo houve este erro, pois toda criança precisa ser cuidada. Está na lei. E nem precisaria estar na lei, já que esta é a mais básica lógica do amor verdadeiro, do amor de quem realmente se importa com seus pequenos.
É o que também penso ao saber que uma mãe ficou 15 minutos no banho e deixou seus dois gêmeos, de 4 anos, sozinhos pela casa. Eles entraram no seu carro, que estava horas sob o sol escaldante, e morreram sufocados. Não quero nem pensar no sofrimento desta mãe, ela deve estar se maldizendo por não ter feito como eu - que sempre levei meus pequenos junto para o banho ou, no mínimo, se sozinho em casa e eles não queriam me acompanhar, deixava a porta aberta e ficava chamando a todo instante, para ouvir suas respostas, pra saber o que estavam fazendo e interagissem comigo. Afora que eu fechava portas, janelas e quaisquer outros acessos a zonas de perigo. Mas vá saber o que aconteceu. Só a mãe pode nos contar o que houve, os motivos de tê-los deixados assim por tanto tempo.
Tomara, mesmo, é que estes dois casos sejam apenas erros - ainda que incompreensíveis, ou horríveis, ou imperdoáveis até pela própria consciência de quem cometeu - dos responsáveis pelos cuidados destes pequenos. Tomara. É o nosso lado humano, cansado de brutalidades, que torce por isto.
Não houve erro, e sim intenção, foi no gesto do homem que arremessou uma bebê pela janela na Espanha. Filha de uma brasileira. Um casal discute, se desentende, se agride e o sujeito arremessa um bebê pela janela? Nossa! Não pode ser uma criatura normal. Inadmissível tamanha brutalidade.
E paramos para reler as notícias e encontramos crianças mortas no trânsito, sempre por culpa de adultos e suas condutas homicidas, crianças afogadas ao lado de adultos irresponsáveis, que as levam a nadar em lugares onde não é permitido o banho. Atropelamentos, como os de Tramandaí.
Não sei, tenho dificuldade com casos assim. Sempre tive. Meu mundo ideal teria apenas crianças brincando, livres, imersas na magia de seus sonhos e histórias. Não vítimas de nosso mundo adulto e descontrolado.
