
Fotos:1) Livro "A cavalgada pelo Caminho da 15ª RT", 2014, produzido pela 15ª Região Tradicionalista - Texto de Oscar Bessi Filho, Capa de Daniel Vêrsa ( chargista que criou os Baita em imagem);
2) Retratito postado no facebook com os jovens e queridos leitores Lídia Gonçalves e Edinho Klein, que conheci na Semana Farroupilha de Montenegro.
Sim, o Tradicionalismo educa. E para que o caro leitor entenda o que digo, é preciso pensar na Educação em seu mais amplo sentido. Não falo apenas da relação entre alunos e suas escolas e professores. Falo da educação que é chamada "de base", e que nem deveria ter um termo que a definisse, mas sim ser natural da condição humana. Falo de autoestima, identidade, respeito pelo que é seu e pelo que é do outro. Consideração. Orgulho (não vaidade exacerbada) dos seus, de suas coisas.
Tenho minha pilcha e gosto mesmo de vesti-la. Sou um mero amante da cultura do meu estado, não me considero alguém à altura de se chamar de tradicionalista. Até em respeito a quem milita a cultura gaúcha em suas almas e a faz verter de seus poros, na luta pela preservação da identidade do nosso povo - e de tudo que gira em torno de nossa história, nossos hábitos, nossas raízes. E olhe que ano passado recebi três honrarias inesquecíveis: o convite da 15ª Região Tradicionalista para escrever o livro "Os Baita em: A Cavalgada pelo Caminho da 15ª RT" - um passeio da turma dos "Baita", personagens de humor que criei, pelos 23 municípios desta Região -, o capítulo da 15ªRT na belíssima obra "Eu sou do Sul", elaborada pelo MTG e que viaja através das fronteiras do mundo, mais o troféu oferecido pela 15ª RT e CTG Querência da Serra, na 67ª Expansão da Chama Crioula, em Salvador do Sul, em reconhecimento ao meu trabalho. E eu nem sabia que tinha feito um trabalho bacana. Aprecio a cultura gaúcha, como aprecio toda manifestação de folclore e as histórias dessas várias origens de nossos povos.
Então vejo um valor inestimável nestes encontros como a Semana Farroupilha, como vejo nas festas que celebram as culturas alemãs, africanas, italianas, portuguesas, espanholas, orientais e etc. A globalização pode ter muitos aspectos bons, ainda mais no campo da ciência e tecnologia, na economia que leva alimentos onde não eles estariam, até mesmo na saudável troca entre as culturas, o que não se pode ignorar. Mas ela tem um viés nocivo às identidades. Explico: a vertente perigosa da uniformização, movida pelo consumo, pela ganância dos monopólios induzidos de produtos, pela massificação que invade a música, as letras, as artes, as roupas, os alimentos artificiais, enfim, tudo que gera lucro no simples argumento de vender mais e mais. E dominar mercados. Isto modifica costumes e jeitos. Reações. E os povos surgem na massa passiva deste processo ingrato, como o gado que se permite repontar no rumo do abatedouro: indo por ir, porque estão dizendo que é para ir, e porque todos vão. Um perigo.
As tradições são um olhar para dentro de si. O elo entre as diversas gerações que se olham com carinho e se reconhecem nos hábitos, nos detalhes, as diversas etnias que compuseram um lugar e seu cruzar de belezas e mazelas vividas e vistas. Não é dizer que este ou aquele, que nós ou os outros são melhores ou piores. É apenas mostrar quem somos. E que temos orgulho de ser, sem se submeter, muito menos se envergonhar. É olhar sob o mais belo ângulo o sabor da nossa gastronomia, ouvir e dançar ao som poético de músicas feitas por olhar e amor, não pra consumo. É se reconhecer nas vozes de nossos poetas e escritores, dramaturgos e cineastas. É gostar de si. E haverá momentos duros, mal conduzidos, mal interpretados, mas são momentos de toda a humanidade. O importante é saber o que se é, de onde se vem, do que se gosta e se é capaz. Acreditar que não se precisa imitar outro para ter espaço. E jamais usar a diferença, ou a sua identidade, para justificar intolerâncias. Viver em paz com o seu eu antes de tudo.
E viver em paz, consigo, é primeiro gesto para não construir violências.
