Um resgate, um salvamento de uma vida ocorrido em São Sepé, RS, na noite do último sábado, 07/-2/26, precisa ser contado aos quatro ventos. Porque emociona e é cheio de significados. Porque vai na contramão desses repetidos episódios permeados de tristeza, violência e desumanidade que nos incomodam todos os dias, de uns tempos para cá de forma quase corriqueira e banal. Porque nos traz ondas de esperança num oceano de violências, golpes, intolerâncias e desumanidades brutais, onde a saúde mental é posta à prova desde tenra idade.
Programa Educacional de Resistência às Drogas e à Violência. Há programas, e lições, que não cabem em cartilhas, porque são gigantes, e continuam ensinando muito depois que o último slide é desligado, ou a última página do caderno se fecha. O PROERD é assim. Ele entra nas escolas falando de drogas e violência, mas sai deixando algo ainda mais forte: a ideia de que sempre existe alguém disposto a ouvir. Em salas cheias de histórias difíceis, o policial militar não aparece apenas como farda e autoridade, mas como presença humana, firme e possível, capaz de olhar nos olhos de crianças e adolescentes que, muitas vezes, só conhecem o caos como rotina.
Muitos desses jovens voltam para casas marcadas por silêncio, gritos, álcool, drogas, abandono, abusos ou medo. Para eles, aquele PM que ensina a dizer “não” também ensina, sem perceber, que é permitido confiar. Que existe um adulto que cumpre o que promete. Que há um mundo além da violência cotidiana. É ali, nesse território invisível entre a escola e a vida, que se constroem vínculos capazes de sustentar sonhos frágeis, mas insistentes.
Por isso, não surpreende o que aconteceu em São Sepé: um adolescente em surto emocional buscou ajuda justamente em quem um dia foi seu professor no PROERD. No momento em que tudo parecia desabar, ele não ligou para um número qualquer, mas usou a rede social para o que ela tem de melhor desde surgiu: aproximar pessoas. E escreveu para alguém que lhe inspirava segurança. E do outro lado havia mais do que técnica policial. Havia escuta, acolhimento, paciência e a serenidade de quem entende que salvar uma vida começa, muitas vezes, por saber ouvir. Entender. E acolher.
Conta o texto da Comunicação Social do 1º RPMon, da Brigada Militar, na noite de sábado a Brigada Militar de São Sepé realizou o resgate de um adolescente de 16 anos que se encontrava em surto emocional. O jovem, que estava sozinho e em situação de risco iminente, entrou em contato diretamente com um soldado por meio de uma rede social. O policial reconheceu a gravidade da situação e iniciou o atendimento utilizando técnicas de escuta ativa e acolhimento para estabilizá-lo emocionalmente até a chegada do socorro. O PM foi professor do adolescente no PROERD e o vínculo de confiança estabelecido anteriormente foi determinante para o acolhimento e a condução segura da ocorrência.
Histórias como essa lembram que segurança pública, assim como Educação (em seu mais belo e amplo conceito), também se faz com afeto, prevenção e presença. O PROERD não impede todas as dores, mas planta referências. E quando um jovem escolhe pedir ajuda em vez de se calar, algo deu certo. Em meio a um mundo duro, esse gesto simples — confiar — é uma vitória silenciosa. E profundamente humana.
