Oscar Bessi

PROERD sem fronteiras

coluna dominical, 06/12

Estudo realizado em São Paulo, na cracolândia, com usuários em níveis extremos de dependência do crack, revelou um dado interessante. Das centenas de entrevistados, nenhum teve, em idade escolar, qualquer contato com o PROERD (Programa de Resistência às Drogas e à Violência) ou outro projeto similar. Faltou-lhes o conhecimento. Ou o convencimento. Na contramão disto, pesquisa feita no Rio Grande do Sul, em uma unidade da Brigada Militar, mostrou que dentre quase 20 mil alunos que passaram pelo PROERD, 97% deles não se envolveu em ocorrências com drogas. E, na mesma São Paulo da cracolândia, o Grupo Interdisciplinar de Estudos de Álcool e Drogas, da Faculdade de Medicina da USP, provou que 95% das crianças da rede pública que tiveram aulas de Proerd não se envolveram com drogas. Uma diferença gritante.

Não adianta. Apenas a Educação institucionalizada, adotada como prioridade e realmente valorizada poderá mudar algo em nossos dias. Fortalecer valores humanos, conhecimento, respeito ao próximo, noção de que as oportunidades podem ser iguais para todos, bem como os sonhos e os direitos da cidadania. Os espaços. As possibilidades. Educar é fortalecer a escola. Fortalecer políticas públicas como as que levam o livro, instrumento fundamental de humanização, às mãos, aos olhos e às mentes de todos. Nesta semana, ações da Associação Gaúcha de Escritores (AGES) e das Bibliotecas Comunitárias, com apoio dos vereadores Airto Ferronato (PSB), Fernanda Melchiona (PSOL) e Alberto Kopttike (PT), reverteram um quase descaso ao Plano Municipal do Livro e da Literatura de Porto Alegre. Para 2016, havia o desejo de se liberar míseros R$ 2 mil para o PMLL. Um quase nada. Com os movimentos para reversão deste quadro, Fernanda, Alberto e Airto (relator) apresentaram emenda que aumentou o valor para R$ 245 mil. Ufa! Porque é estranho isto de se pensar em reduzir a leitura, justo na cidade que, nos últimos tempos, se notabiliza pelo medo e atos de violência.

Infelizmente, são estas as políticas públicas cortadas em quaisquer crises. Não há verba para livros, para educar, para transformar. Porém sobra grana quando se trata de jogar pela janela em escandalosas farras parlamentares. Contra este tipo de droga - se deixar enganar - o PROERD também atua. Aliás, o programa ensina a resistir à pressão negativa ao seu redor. A abrir o olho. Aproveitando a época das formaturas de PROERD nas escolas gaúchas, iniciei, no meu blog do portal do Correio do Povo, uma série sobre os magníficos trabalhos realizados por policiais militares, nas escolas, Rio Grande afora. Dos cantões da capital à Fronteira da Paz. É o PROERD, sem fronteiras. Ensinando a dizer não ao (tudo!) que houver de ruim.