
Palestra para educadores na abertura do ano letivo em Montenegro, em 18/2/16 - Foto: ACOM Montenegro.
Tive dois encontros maravilhosos, esta semana, com professores. O primeiro, em Santa Clara do Sul, na manhã de quarta-feira, dia 17. Seminários para educadores do município e de cidades vizinhas. O segundo foi nesta quinta, também pela manhã, em Montenegro. Nos dois momentos pude levar, a centenas de professores, uma mensagem que tenho transformado em luta pessoal: o livro, a leitura e a literatura como instrumento de humanização. Gosto de levar, aos profes, a ideia de que podemos fazer algo diferente. Oficinas de escrita criativa dentro de sala de aula, incentivo à leitura, educação da sensibilidade. Ensinar a perceber, sentir, olhar o invisível.
Não vejo os especialistas e segurança sequer tocarem no problema da educação. Mas a educação em seu sentido amplo, não aquela que, de forma equivocada, julga que a escola deva ser um depósito com ares de reformatório de jovens e crianças. Falo em educação de berço. Nãos e fala nisto. Se fala em leis mais duras, mais polícia nas ruas, em presídios novos. E tudo está certo, para que se resolve o problema de agora. Mas e o amanhã? Como se evita e freia este incentivo de ingresso no mundo do crime? Como se mudam consciências? Como estancar esta fábrica ingrata de bandidos que nos assola? Só a Educação. Não há outra saída, é a única prevenção possível. É educar ou o quê? Fuzilar crianças para prevenir que não se tornem criminosos?
Não se iludam, o cenário é de guerra. Agressões, mortes, tudo no entorno da escola, alvo de traficantes porque ali estão seus clientes preferidos. Seu lucro. Bibliotecas abandonadas e gradeadas como se fossem presídios. Professores ameaçados de morte. Triste, muito triste.
Nesta luta, os professores estão sozinhos. Abandonados. Sobrecarregados. Em Montenegro, onde me derama gentileza da palavra como patrono da Feira do Livro que acontecerá em maio, fui interrompido por quatro vezes durante a minha fala (que foi curta, uns quinze minutos) pelos aplausos entusiasmados dos educadores. E não falei nada demais. Só falei com a paixão que trago comigo sobre essas coisas que todos sabemos. Mas é assim. Ao nosso lado, só temos nós, os que acreditam. Só podemos contar conosco e com a nossa ferrenha vontade de viver num mundo melhor. De deixar uma sociedade mais justa e mais humana para os nossos filhos.
A literatura humaniza. A educação da sensibilidade incentiva seres humanos melhores. Precisamos disto, ou a escalada de violência crescerá cada vez mais. Que os gestores públicos se liguem nisto, ou só nos restará chorar pelas nossas. E pelo possível que deixamos de fazer.
