A naturalidade com que, todos os dias, homens justificam a sua agressividade selvagem contra mulheres, impressiona. Eles espancam, violentam, diminuem, exploram, subjugam. E se consideram apenas integrantes de um contexto cultural que impera, na rua, no comercial da cerveja ou dentro de casa. Mulher é objeto e gosta. Será?Sujeitos que entendem a companheira como propriedade sua, ao mesmo tempo em que, numa esmagadora maioria, são infiéis, não têm a mínima capacidade de avaliar. Muito menos entender. Um ser humano é composto de sonhos, necessidades, perspectivas. Não há racionalidade possível que se admita apêndice de outra. Isto só acontece na escravidão. E qualquer escravidão será sempre a maior violência que alguém pode praticar contra o seu semelhante.
Há pouco, a Universidade de São Paulo (USP), através de sua frente feminista, encerrou sua semana de combate á violência contra a mulher (foto). A cada oito de março, penso onde teve início tudo isto. Nem falo do crime de 1857, onde mais de cento e trinta operárias de uma tecelagem foram trancadas e incendiadas, brutalmente mortas dentro da fábrica onde protestavam por melhores condições de trabalho. Isto na já iluminada Nova Iorque. Também não me refiro às propagandas partidárias de Stalin, com o movimento na Rússia czarista às vésperas da revolução de 1917.
Retorno um pouco mais na história e penso se a culpa não foi dos sumérios. Se eles foram o embrião das ditas sociedades organizadas, talvez tenham errado em deixar o poder decisório só na mão dos anciãos. Deveriam ter mesclado com as anciãs, as mães e as avós. Seriam copiados por tudo o que veio depois em termos de estado e poder. Antes deles, o homem pré-histórico até cultuava a mulher pela sua fertilidade, mas só cultuava. Nada de permitir decisões. Os gregos inventaram a democracia, desde que esta não se estendesse às mulheres, que consideravam seres inferiores. E para a Igreja Católica da Idade Média, mulheres eram demônios, seres vis, culpados por todos os pecados e perigos do mundo (mais ou menos a gente entende o porquê desse pavor todo, né).
E todos esses caras, de ideias horrendas, já sabiam, e muito bem, que não era a cegonha que os carregava por nove meses em seu ventre. Nem que já nasciam tomando leite de vaca ou de cabra.
Até hoje, os dados de violência contra a mulher são apavorantes. Os dados, eu disse. Há muito que é escondido, que não se fala por medo ou vergonha. E há o assédio, em todos os lugares, a vulgarização do tratamento como se mulher fosse coisa. Bom, mas isto está até nos comerciais de certos produtos e é aceito como normal, não é mesmo?
A primeira violência contra a mulher não nasceu numa briga de casal. Veio num olhar torto que se achou superior. E deu, à humanidade, esse mundo masculino de tiranos e pais inconscientes. Claro que há pessoas e pessoas. Porém, aos fãs dos números, basta ver: elas são a maioria da população, mas são os homens que assaltam, matam, traficam, brigam nos estádios, bebem, dirigem e provocam tragédias. Que lucram sem escrúpulo e desviam verbas públicas. Que violentam crianças. Que destroem, desgraçam, desmatam e desmontam. Que inventam terrorismos e guerras idiotas.
“Ter uma alma feminina” deveria ser o maior elogio possível a um homem. Então, que as mulheres avancem! Mas nada de seguir estes péssimos exemplos masculinos.
