O exemplo de Porto Alegre é sonoro. A violência cresce, foge do controle, os índices de letalidade empatam com as piores guerras do planeta, a população se sente fragilizada e pauta seu cotidiano pelo medo. Para ajudar, justo neste momento nacional de crescimento da violência e da criminalidade, o Estado passa por um perrengue financeiro sem precedentes. Poderia se dizer que não há nada de bom no horizonte.
Entretanto, na contramão das más notícias, há quem arregace as mangas. E se una na trincheira aos que já estão de mãos arremangadas por ofício: a maioria dos trabalhadores da Segurança Pública. Digo maioria - e é, felizmente, a esmagadora maioria - porque há as frutas pobres no balaio. Como em qualquer grupo humano. Mas o desvio de conduta não pode servir como parâmetro. Algo que já não se pode dizer da classe política brasileira, que se revela justamente o contrário disto. Basta ler o Correio do Povo diariamente. Delações e revelações diárias de esquemas à direita e à esquerda de quem se aconchega no poder. Lá, naquele outro nicho, a maçã boa é que anda rara.
Um mutirão de empresários do ramo de veículos colocará mais de 100 viaturas nas ruas da capital gaúcha. Elas estão, hoje, todas paradas por falta de manutenção e recursos para recuperá-las. O conserto dos carros ocorre em diversas oficinas de concessionárias de Porto Alegre. É a união de esforços para enfrentar o crime - já que ele nos enfrenta sem qualquer escrúpulo ou critério, e para fazer frente, só nos unindo mesmo.
Na prática, os Conselhos Pró-segurança nos municípios já faz esta parte, de auxiliar as polícias no seu aparelhamento, há muitos anos. Nalguns com mais paixão e interesse, noutros com menos, claro. Segurança Pública é cara e exige investimentos, mas o Estado não pode ficar sozinho nesta, afinal, somos nós que colhemos o pior resultado, e da maneira mais triste e trágica possível.
De resto, é bom que Porto Alegre mostre aos bandidos que, sim, é mais bela do que um cenário gris de combate. E pode ir muito além de um andar encolhido pelo medo.
