1
Quase duas dezenas de acidentes de ônibus em meia dúzia de dias no novo ano. Mortes. Uma mescla de tristes constatações, resultados óbvios do descaso com a vida do próximo: estradas péssimas, velocidades desnecessárias, jornadas exaustivas aos motoristas. Talvez o que mais? Economia de manutenção e exigência de horários nalguns casos? Talvez . Nada surpreendente no mundo onde o lucro é o bem maior.
2
Na TV Record, o assassino de seis taxistas sorri, enquanto fala. Ele mal se contém. Está a um passo de ter o maior orgulho de ter feito o que fez e mandar beijo para alguma amiga ou familiar, feliz por ser esta macabra celebridade em horário nobre. A dor das famílias pouco importa. A pérola nem é dita por ele: "sem provas, só com indício, vocês não podem indiciar". A frase foi para os policiais. Uau. Cada um com o que lhe é de direito. O serial killer? Cedo ou tarde ele vai sair da cadeia. E é certo que irá atrás de um novo capítulo de maior audiência na sua novela doentia de vida.
3
São Paulo não assombra: a natureza sempre se renovará, não o ser humano. Isto é uma ironia que li nalgum lugar via internet. O caos da maior cidade da América Latina é só o caos lógico de um crescer acelerado, não planejado, predador, egocêntrico e ganancioso. Será cada vez pior, normal. E será comum noutras cidades também - pois todas, de todos os tamanhos, parecem caminhar despreocupadamente para o mesmo buraco.
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Não sei se li algo mais absurdo em minha vida: uma dica de segurança para não esquecer seu bebê no carro é deixar celular, a carteira ou a bolsa ao lado dele. Algo "importante". Oi? Como é que é? Importante? Mais importante que o próprio filho, criatura?! Bah. Mas aí não vamos a lugar algum mesmo. Nunca.
5
Raríssimos gestos de leitura na beira do mar. Quase nada de livros, aliás, quase nada de livros para se encontrar em livrarias. Uma pena. De minha parte, entre uma onda e outra, reli Raymond Chandler, Scliar e Sergio Faraco. Para tentar me divertir entre as diversões que mostram, a todo instante, e em todos os lugares, e no máximo de decibéis, que a ditadura do barulho e da futilidade vai te cooptar, sempre, querendo ou não.
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Mulheres de óculos e chapéu entre as ondas. Entram no mar. Charmosas. Belas, belíssimas, em todas as suas idades e aparências diversas. A vaidade invade a orla e isto, definitivamente, não é ruim. ;)
