Não deveria acontecer. Não poderia. O natural seria que cada filho vivesse o suficiente para que ver seus pais partirem e, sim, também seria dor, porque é sempre dor perder quem amamos, mas seria uma dor esperada na regra desse jogo efêmero que é viver.
Mas não deveríamos ter que enterrar nossos filhos. Nunca.
Foi mais um caso, mais um estudante, mais um menino que sonhava alto e era esperado em casa. Um menino que chegara à faculdade. Dia desses, foi uma garotinha assassinada em sala de aula. Noutra noite, um jovem que cursava seu mestrado. Estatísticas frias para tantos, notícias distantes para outros, overdoses diárias de espanto e sentimento de impotência.
Mas uma dor sem limites para os seus.
Olhem suas crianças, agora. Vocês que se importam com os seus. Olhem bem. E pensem no que os bandidos querem fazer com elas.
Pois é o que eles fazem, todos os dias, friamente, nem aí para nada. A vida do outro, para eles, vale menos que um papel de bala.
É justo?
Estamos permitindo nossos filhos serem mortos como moscas. Estaremos, a partir de agora, aguardando a próxima vítima, rezando doentiamente para que não seja nós mesmos. Porque é uma guerra. E quem são os assassinos? O que fazer com eles? Nós sabemos. Nós sabemos muito bem. Até onde o canto da hipocrisia será mais forte que os gritos de dor dessas famílias ceifadas pela violência? Até quando teremos nossas gargantas trancadas, nossos olhos ardendo e nossas almas dilaceradas, enquanto os sinos dobram a a despedida prematura dos que mais amamos?
