Oscar Bessi

Quando perdemos nossos policiais

A execução do policial militar em Canoas por um assaltante de carros, na frente de sua esposa, não gerou comoção apenas entre os seus colegas de farda. A morte de um policial sempre gera apreensão no seio da sociedade que ele foi escolhido para defender. Se a vulnerabilidade e o medo abraçam, também, os que representam o Estado em nossa defesa, o que sobra aos que não andam armados e com coletes pelas ruas? É um clima de guerra. Tensão.

Não foi o primeiro caso, nem será o último. No Brasil, morre, em média, mais de um policial por dia. Um país que perde 50 mil habitantes, a cada ano, vítimas de disparos de armas de fogo. Só de armas de fogo. São seis assassinatos por hora. Mais do que as mortes no Vietnã. Onde está a raiz desta guerra?

Então a Polícia Civil encontra o "Caveirão da Morte", veículo utilizado por bandidos para ataques a inimigos, sejam gangues de tráfico rivais, sejam policiais. Carro blindado, suporte para armas pesadas, sistema de escoamento de sangue de suas vítimas. Máquina mortífera. Terror.

No Rio de Janeiro, morreu em confronto o PM que, nas horas de folga, era um artista. Dublador. Era sua a voz eternizada nos filmes de Harry Potter como sendo a do bruxinho que ainda povoa o imaginário de milhares de crianças e adolescentes - algo nunca mencionado antes, quando o soldado estava vivo, e agora lembrado em breves notícias. Nenhum deles, o soldado de Canoas ou o do Rio, ou tantos outros anônimos que tombam diariamente, terá as honrarias e homenagens que receberia caso fosse vítima, hoje, o deputado federal aquele, que se notabiliza como um dos maiores larápios da história nacional - mas que segue incólume em suas funções, dando as cartas e arrotando poderes, blindado em seu caveirão torpe de negociatas ocultas e milionárias.

Assim, perdemos policiais. Perdemos os bons para a morte. Perdemos os bons para a desistência natural desse oceano revolto de desvalorização e desrespeito. Perdemos os que, por seus motivos, se rendem ao mal. Perdemos.

É preciso reverter este jogo. E urgente.