Oscar Bessi

Quando podemos mudar o mundo

imagesNum canto da casa, a aranha tece sua teia. Constrói seu mundo. Suas possibilidades. Ao seu jeito, semeia esperança e sobrevivência, proteção e amparo. E espera. Como o semeador que ara a sua terra, joga a semente e cuida, para que do seu suor e da sabedoria calma da natureza venham todos os frutos. Alguém dirá para a aranha, ou para o semeador, que há modos mais fáceis e rápidos de chegar ao conforto. E não estará mentindo. O que conta, nestas horas, é a espécie de sacrifício que cada um está disposto a fazer – e todos nós faremos algum sacrifício.

Uns sacrificarão seu tempo com trabalho e cansarão o corpo, mas estarão com a alma em paz. Outros sacrificarão sua honra e seu respeito vendendo, ou alugando, a alma ao diabo para pegar um atalho e se “dar bem”. E farão de tudo para que os outros acreditem que foi esta a escolha certa. Mas toda vez que alguém deixa de fazer a sua parte e age feito sanguessuga, outro, ou muitos outros, trabalham dobrado para sustentar esta “esperteza”. E isso não é justo, nunca será. Nada supera ter sua consciência tranquila. Como nada é pior do que viver sob o medo das mentiras que serão descobertas – e mais cedo ou mais tarde serão, com menor ou maior audiência, mas sempre serão.

O que queremos para os nossos filhos e netos, para a velhice que nos aguarda a todos, para o destino daqueles que mais amamos? Um mundo justo de chances iguais ao que são iguais, ou uma selva de espertalhões e golpistas, prepotentes e ladrões, covardes e egoístas inescrupulosos? Vamos amparar o avanço das máfias e das violências? Ou vamos enfrentar essa tradição de se render, feito presa, ao que se julga mais forte – mas que, no fim das contas, não passa de um monstro sustentado e alimentado por nós? Há muitos momentos em que podemos escolher. Todos os dias. O mundo não se transforma ao tentarmos mudar os outros, ou mudar tudo o que nos cerca. Ele se transforma quando mudamos nossas atitudes e elas, ao natural, semeiam novos resultados.

Sentado no quarto, o homem enxerga a sua parece cinza, embolorada e decadente. E se deixa naufragar sob as ondas da tempestade que chama de tristeza. Ao virar a cadeira, porém, ele vê a janela, e a luz, e a vida lá fora com todas as suas infinitas possibilidades – até mesmo de que ele volte apenas a enxergar nada além da sua parede. É hora de escolher. O caminho triste e feio da desonestidade e da ganância, que arrancam vantagem para poucos e esmagam a maioria, ou a beleza da oportunidade que nasce, sempre, nas atitudes de carinho e amor ao próximo. Sim, a harmonia é possível. A paz também. E a felicidade depende delas para te encontrar.