Se eu fizesse uma retrospectiva de 2015, teria que lembrar maravilhas, mas também do que pretendo esquecer. Dos momentos de pânico, tremor e medo, no auge da depressão, de me ver com a mão tremendo em meio à ação, de me pegar com vontade de chorar do nada, do afastamento inédito do trabalho em mais de 25 anos à vontade nas loucuras da linha de frente.Mas isto traria a frase imbecil de um sujeito que disse: "para trabalhar, ele está louco, mas para escrever está bem sãozinho". Ele não sabe como a literatura me salvou. Nem a diferença entre livros e armas, palavras e agressões, cérebro e bunda. E isto não me surpreende. Afinal, arrisquei minha vida pela proteção da sociedade mil vezes mais do que ele, que é um tipo que apenas grita, ofende e faz nada pelo coletivo.
Então prefiro recordar os abraços nas Feiras onde fui Patrono: Santa Clara do Sul, Mato Leitão e Triunfo, onde fiz novos e inesquecíveis amigos, fundamentais, como foram meu psiquiatra Felipe e o psicólogo Marcio Hoffmeister, para a minha recuperação plena. Todos os momentos bons com meus queridos amigos escritores da AGEs - Associação Gaúcha de Escritores onde, por uma dessas escorregadelas do destino, na gentileza de gente com muito trajetória e importância que eu, acabei eleito presidente.
Como os tantos outros escritores com quem compartilho ideias e sonhos, Do carinho e amizade sem distância dos meus verdadeiros companheiros de luta nas ruas, a imensa maioria deles soldados, policiais das bases das corporações, professores de sala de aula, bibliotecárias, trabalhadores de parcos salários, gente do campo que não comemora feriados, estudantes com sonhos nas mochilas, agentes de saúde caminhando sem descanso entre uma sociedade doente, militantes da cultura, da educação e da paz. Todos tentando elevar a bandeira do bem, da justiça e da igualdade. Da chance de ser feliz. A Esperança sempre nos une lá no front.
E, é claro, aos meus amores, meus familiares, tão deliciosamente diferentes de mim e tão fundamentais quando penso em desistir e não desisto. Assim, perdão aos que ofendi, dos que me escondi sob pânico, aos que evitei para não ter que explicar o que sentia e ao meu próprio ser, por ter me conduzido tão mal, no atropelo, e resultado nisto. Agora tudo vai bem. E 2016 será um ano de lutas essenciais, de batalhas pela vida, pela inclusão de todos, pela valorização do ser humano, pela superação dos obstáculos. Alegria, garra e muito amor!
A todos, um FELIZ 2016!
