São dias para celebrarmos nossos costumes e história. Nossos jeitos. Festejar 20 de setembro, a revolução de um estado que o gigante Império não conseguiu vencer. É de orgulhar? Sim. Há entrelinhas na história? Ah, em todas. Mas meu erguer de espada e meu grito, hoje, nascem de maus costumes que temos de enfrentar, e sem trégua. De uma causa que, mesmo em tempos de tecnologia e informação, segue farrapa no desrespeito que é violência e rasga as roupas da alma, da cidadania e dignidade do ser humano. Conclamo que nos levantemos no 21 de setembro, Dia Nacional de Luta das Pessoas com Deficiência, a batalhar pela igualdade plena, verdadeira, absoluta! Por quase 50 milhões de brasileiros, segundo o IBGE - um a cada quatro que moram neste país! - que têm algum tipo de deficiência, mas assistem legislações emperradas, ignoradas, processos lentos, preconceitos e descasos múltiplos. É vida que exige espaço. E o respeito não é algo que pode ficar para amanhã.
Lembro o Soldado Antônio. Morava em Alvorada e enfrentou comigo ocorrências de alto risco na zona norte de Porto Alegre. Baleado ao enfrentar assaltantes, ficou tetraplégico e sentiu o abandono daqueles que jurou defender com sua vida. E as histórias não múltiplas. Convido a visitar o trabalho da Asdef, Apae, Asasepode e tantos outros. Recomendo o livro "Dando Pinta" (Ed. Buqui), de Almir Dias da Silva, gaúcho corajoso de Bagé que conta, em suas memórias, os preconceitos que enfrentou como homossexual e cadeirante. E a conhecer o Blog da Acessibilidade, do meu amigo Gustavo Trevisi do Nascimento, jornalista, leitor do Correio do Povo, deficiente e idealista. Por sua militância incessante pela inclusão de todos os que nasceram, ou ficaram por qualquer inesperado da vida, com alguma deficiência física, intelectual, auditiva ou visual, nasce esta coluna.
Domingo passado, chorei ao ver o Grupo Flor de Tuna, da APAE Montenegro, no palco da Semana Farroupilha da cidade após o show de Wilson Paim. Sim, choro pilchado. Foram lágrimas de emoção e alegria ao ver o sorriso empolgado da professora Katia, o riso aberto e orgulhoso de todos os dançarinos com o público a aplaudi-los de pé. Somos humanos. Podemos amar sem diferenças, fazer algo pelo outro. Só falta lembrar que o amor existe também no construir das escadarias nervosas deste louco progresso, no criar espaços públicos e privados, no ir, vir e viver de todos. Que se rompam essas barreiras - que só sabe quem vive, ou quem se dá ao "árduo" trabalho árduo de se importar. Vamos batalhar por esta revolução, sem esperar que o drama nos atinja para entendê-lo. É hora de libertar nosso povo desta violência chamada descaso, a esfarrapar nossas almas.
