Todo verão, a imprudência de banhistas ocasiona uma série de salvamentos em águas salgadas e doces. A ação preventiva dos salva-vidas se torna essencial à preservação de vidas quando a falta de atenção, ou de cuidado, fala mais alto. É a coragem sem conhecimento, a ingestão de álcool ou de drogas, o descuido com crianças, o descaso aos altertas de perigo. Tudo seria bem mais fácil e tranquilo se o comportamento de cada banhista fosse permeado de uma boa dose prudência. De cautela nas águas. Afinal, quem nada é peixe, já dizia a minha avó. Nós somos seres terrestres e, por óbvio, nos afogamos. Basta facilitar. Basta ousar sem saber. Basta não conhecer.
O salva-vidas torna-se o policial da areia. Seus sinais, seus avisos, seus apitos não têm o objetivo de estragar a animação de quem se diverte. Apenas querem evitar tragédias. Não há alegria que compense a dor que vier depois dela, se o resultado é a falta de alguém que amamos muito. E pensar que tudo nasceu de um gesto banal, aparentemente inofensivo, porém fatal e irreversível, dói mais, porque nos criticaremos por saber que era desnecessário. Que alguém tinha dito que poderia dar problema. Que bom que há anjos atentos na nossa proteção. Mas eles também são humanos, é bom lembrar. E não esterão em todos os lugares, o tempo todo.
