Eu olho a foto da menina sorridente. Pode ser apenas mais uma foto. Onde se vê a vaidade feminina, a sua alegria juvenil, o olhar que sonha futuros e talvez procure amores, mas com certeza corre atrás de alegrias e realizações. Mas não é qualquer foto, pelo menos não no momento em que a vejo. Leio a notícia de que esta menina, aos vinte e poucos anos, pode ficar tetraplégica após levar um tiro no rosto. Ela é policial militar no Rio de Janeiro. Foi baleada em confronto com criminosos. E, como outros 124 policiais militares baleados só em 2015, e apenas no Rio (quantos mesmo no Brasil inteiro só neste ano, ou nos últimos anos?), levou a pior. Ela tinha pouco mais de um ano de corporação. Tinha.Tenho uma grande amiga e poeta portuguesa, Rosário Azevedo. Há alguns anos conversávamos via internet sobre literatura, vida e, lá pelas tantas, o assunto caiu na minha profissão. De repente, ela me vem com a frase:
- Mas Oscar! Quem são estes loucos que querem ser policiais logo aí no Brasil?
Nossa imagem não é boa lá fora. Nem anda muito boa aqui dentro. Eu tenho a resposta, sobre esses loucos - onde me incluo -, mas prefiro não dizer. Cada um tem a sua resposta. Cada um tem a sua loucura. Os jovens e os veteranos. Os bons, os maus, os inocentes e os culpados. Os que erram e os que são injustiçados. Os que ainda sonham. E os que apenas se debatem entre seus pesadelos.
