Robauto Triturada
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Robauto Triturada

As forças de segurança gaúchas tem dado uma aula de enfrentamento a esta rede de crimes que já geraram tanto horror. É a Operação Desmanche.

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A lógica perversa que movimenta a Robauto – indústria do roubo de automóveis ilimitada -, é a mesma que alimenta a violência de outros crimes como, por exemplo, tráfico de drogas e exploração sexual. É a tal filosofia vampiresca de sugar sangue e suor alheio, dar de ombros para o preço que os outros pagam por esta irresponsabilidade e ainda se achar esperto. Consumismo, febre do ter em detrimento do ser? Pode até ser uma cultura impregnada feito fungo nesses tempos efêmeros, midiáticos, tecnológicos e egocêntricos. Porém, todos nós podemos pensar um pouco antes de ingressar na macabra cadeia alimentar que engorda e fortalece o crime. A racionalidade nos permite reflexão e escolha. E pensar ou não nas consequências passa pelos valores morais e humanos que cada um traz consigo. Quem achar que uma selfie no carrão, que não tem condições de sustentar, é mais importante do que a vida de alguém que foi assassinado para isto acontecer, bah. Aí só quando ele for a próxima vítima irá entender. Aí não adianta reclamar.

As forças de segurança gaúchas têm dado uma aula de enfrentamento a esta rede de crimes que já geraram tanto horror. Na Operação Desmanche, sob coordenação da Secretaria de Segurança Pública, Brigada Militar, Polícia Civil, IGP, DETRAN, Guardas Municipais e Secretarias Municipais de Meio Ambiente arregaçam as manga e vão para o front. Após 88 edições da operação, esta semana comemoraram-se 7 mil toneladas de material sem procedência apreendidas que virou sucata automotiva. Tudo veio de furto ou roubo de estava pronto para ser vendido aos “consumidores espertos”. Em 50 municípios gaúchos, foram interditados 132 estabelecimentos, com mais de 70 pessoas presas. Em contrapartida, os índices de roubo de carros caíram consideravelmente no estado. A Robauto não é mais um bom negócio no pampa. Aliás, praticamente zeraria se todos se conscientizassem e ninguém comprasse mais produtos sem procedência. Mas aí já é sonhar com educação demais, né.

Se estes números assombram quanto à grandeza do negócio criminoso, por outro lado mostram o elevado número de cidadãos que se envolvem, sem pensar, nesse circuito de violência. Sem saber, eles seguram a arma que encosta na cabeça de uma mãe, na frente dos seus filhos, para roubar seu carro. Eles apertam junto o gatilho que mata inocentes que se assustam com o assalto ou policiais que perseguem esses bandidos. E tudo por vaidade, falta de consideração ao próximo e falta de visão do mundo ao seu redor. Claro, quando eles próprios ou alguém que amam sofre esta mesma violência que eles alimentam sem se importar, aí bradam por justiça, gritam contra a insegurança e por aí vai. Triste, mas uma realidade banal. E a culpa não é da moda. Ninguém é forçado a nada. A culpa é das mínimas escolhas que fazemos todos os dias.