Em 2003, reuni crônicas de humor sobre cotidiano policial para o livro "Corra que a Brigada Vem Aí". Uma edição independente para a Feira do Livro de Alvorada, onde eu trabalhava, com ilustrações roteirizadas por mim, inspiradas em Chaplin e desenhadas pelo Techio, um chargista de rua que vivia na Praça da Alfândega. Escolhi, para abrir o livro, a frase do teólogo e humanista neerlandês Erasmo de Rotterdam "Rir de tudo é coisa dos tontos, mas não rir de nada é coisa dos estúpidos". Eu tinha a convicção, após frequentar as primeiras aulas da Pós-graduação de Psicologia Organizacional na PUCRS e realizar uma pesquisa para a cadeira "Temas Contemporâneos", da Professora Joyce Pernigotti, que o bom humor, ou o riso, até mesmo o sorriso, servem como instrumento quase natural de aproximação entre as pessoas. Um diluidor de desconfianças e comportamentos agressivos. Um belo instrumento antiviolência.O livro não ficou bom e nem existe mais. Talvez perdido com algum leitor por aí, apenas. Mas sempre gostei do humor.
Na literatura, cinema ou teatro. Penso até que o humor anda ausente da televisão brasileira (ou presente e com péssima qualidade) e um resgate seria bom para o nosso povo. Precisamos rir mais e nos agredir menos. Somos, naturalmente, alegres. Só não podemos esquecer disto.Sempre citei Roberto Bolaños, que nos deixou nesta sexta-feira, como um exemplo do humor mais inteligente que se possa fazer. E é inteligente por ser simples. Chaves, ou Chapolin, personagens eternizados mundo afora pelo ator, escritor e comediante mexicano eram unanimidades entre crianças e adultos pela sua simplicidade. Era fácil rir com suas piadas simples, suas brincadeiras muitas vezes repetidas. E alie-se esta simplicidade à velha e boa receita que faz a humanidade suspirar em todas as artes: o bem sempre vencer no final.
Eu não conheço alguém que venha do povo, que pense da forma simples como pensam os que nos cercam no cotidiano, que não gostasse de Chaves ou Chapolin. Até encontrei uns pretensos intelectuais cheios de críticas e arrogâncias em relação a Bolaños. Uns preconceituosos. Estes, pouco entendem ou querem entender do povão. Talvez nem saibam rir. Um dia talvez eu conte, aqui, sobre um apelido que tive, graças a Bolaños. E que nasceu numa ocorrência quando servi no 11º BPM, na capital gaúcha, em área que hoje é do 20º BPM. Talvez eu conte. Por enquanto, sigam-me os bons. E vamos dar este adeus emocionado e agradecido a Bolaños. Mas não ao Chaves. Não ao Chapolin.
