Foram os fenícios que começaram a reunir valores num lugar só, para facilitar a vida. Mas o termo "banco" vem dos romanos. A mesa de troca das moedas de ouro por mercadorias. O sujeito que sabia avaliar as pedras e contabilizar esta matemática ganhava suas porcentagens. Nascia o banqueiro. O cara da grana e, mais tarde, das regras da grana. Nesta época já surgiam uns loucos de espadas na mão a fim de levar aquelas fortunas reunidas. Ou seja, desde que o homem criou a posse, há alguém disposto a tomá-la para si de forma ilícita e violenta. Também quer ter, mas de um jeito mais fácil. A racionalidade às vezes fica nisto: sou pelo que tenho, azar como consegui. Saudade dos dinossauros.O roubo a banco existe desde que existem bancos. E sempre existirá. Pelo menos enquanto a humanidade não desaparecer ou virar uma tribo zen geral. Somos predadores naturais. E artificiais também. Terminar com o assalto a banco? Só se terminarem os bancos. Onde estiver o bem mais procurado pelos bandidos, eis o alvo dos seus ataques. Os assaltos aumentam? Ora. Num país onde o desemprego cresce a cada dia, onde o trabalhador vive massacrado sob impostos que não retornam (além de aumentos abusivos), onde o mau exemplo, o descaso e a corrupção dos gestores públicos fazem as grandes manchetes de todos os dias, queremos o quê? Só me incomoda que quando se assalta um ônibus, onde a limpa nos bolsos do povão dói muito mais para esses heróis cotidianos que vivem sob o medo e a desesperança, ninguém dá muita bola. Pobre não é banco. Bah! Mas é cidadão.
Vai piorar. Há anos o problema cresce e nenhum estudo, debate, reunião ou ação reverteu este crescimento. Inverter isto de verdade só seria possível (repito!) com investimento máximo em educação, segurança pública e geração de trabalho e renda. Ou é fingir que não viu, deixar como está porque sempre esteve e arremessar nas costas da polícia a ordem de sempre: esqueçam os bairros, o povo, os estudantes, os operários, o policiamento comunitário, a cidadania e não saiam da frente dos bancos, nem que se tornem alvos. E a segurança pública vira segurança privada. Adianta? Os bandidos vêm com armas pesadas e explosivos, dispostos a arrebentar com todos e com tudo. Fazem reféns. Matam. Debocham do combalido poder público. Riem do povo. São sádicos, psicopatas, ex-detentos presos mil vezes e mil vezes soltos, foragidos ou aprendizes do crime cooptados pela perspectiva. Mais os cúmplices que lhes repassam carros roubados e clonados, armas pesadas e informações privilegiadas. Um bom negócio e uma grande rede. O crime prospera onde o território é fértil. E o como anda fértil o terreno por aqui, hein. Será o adubo?
