Na semana em que o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) completa 25 anos, recebi um belo presente. Tive a honra de ser o patrono da Feira do Livro de Santa Clara do Sul. E, de tudo o que levei de maravilhoso da Cidade das Flores do Vale do Taquari, jamais esquecerei a frase do prefeito Fabiano Immich: "minha prioridade de investimento é no ser humano". Não era discurso, foi no bate-papo descontraído entre bancas de livros. E é prática: ele investiu, em 2014, 34% do orçamento em Educação. São 550 crianças em turno integral (até o terceiro ano fundamental, todos!), e o prefeito quer mais. Um belo exemplo são os projetos que incentivam a leitura e a produção textual junto às escolas e comunidade, todos capitaneados pelo Secretário de Educação, Gilmar Hermes, com sua sensibilidade tripla de professor, músico e escritor, e pelo Diretor de Cultura, Leandro Braun.O perfume das flores e a gentileza do povo, percebi já ao entrar na cidade. Da simpatia do vice-prefeito Inácio Herrmann, num encontro casual sem nos conhecermos, à patrola da prefeitura e a carreta que me cederam lugar na estrada sem que eu pedisse. Pequenos gestos que fazem grandes diferenças. Fora o carinho das moças do SESC Venâncio Aires, as simpaticíssimas Diane e Lisiane (nora do Capitão Abel, meu colega de farda e leitor desta coluna), e o entusiasmo dos estudantes com quem conversei. É bom dizer: o SESC é um dos grandes promotores de cultura deste país, evitando que muita coisa boa deixe de acontecer ao levar, onde for, humanidades urgentes, sempre que encontram parceiros nos poderes públicos.
E quando o ECA aniversaria ao lado de tristes discursos de intolerância, dá a nítida impressão de que é uma lei sonhadora, ainda não compreendida pela nossa sociedade. Daí, mal aplicada. Ou nem. Talvez careça de pequenos ajustes. Mas já deixa claro: criança e adolescente são frutos de exemplos. Das possibilidades que oferecemos e incentivamos. Assim, foi um presente ainda maior ver tanta gente na abertura da feira, numa noite de chuva forte e jogos da dupla, a sorrir em concordância com minha posição contrária à redução da maioridade penal. Santa Clara não está preocupada com seus jovens. O poder público lhes dá devida atenção e futuro. Leva o ECA a sério. Que educar é proteger, a única prevenção possível à violência. No amanhã, cidades do mesmo porte estarão desesperadas com o descontrole, a Cidade das Flores não. E quando a Orquestra Jovem do SESI de Lajeado abriu seu espetáculo com a música daquele filme de Tom Cruise, eu sorri, satisfeito: é uma Missão Possível, sim, levar os livros ao povo e entender os sonhos do ECA. Santa Clara do Sul ensina como.
