Oscar Bessi

Seis feminicídios em menos de 24h: um problema educacional.

Como bem disse o Secretário de Segurança Pública do RS, fica claro que existe pensamento um machismo estrutural, uma misoginia que mata.

O feriado de sexta-feira santa não poderia ter sido mais triste para os gaúchos.

Seis. mulheres foram assassinadas no RS. Todas elas, a princípio, por ex-companheiros que não aceitaram uma separação. Uma delas estava grávida.

No total dos últimos dias, são oito gaúchas que nos deixaram, que perderam suas vidas para a estupidez da posse, da intolerância, da não aceitação de que simplesmente uma mulher pode ter a vida que desejar para si, o direito de seguir seu rumo e ser feliz.

Assassinatos cruéis, inaceitáveis. Justificados por uma cultura equivocada de machismo e misoginia. Amparados num ciclo interminável de mediocridades que coloca as mulheres em risco simplesmente pelo fato de serem mulheres.

E estamos falando de nossas filhas, nossas irmãs, nossas mães.

O aspecto mais triste, além da tristeza infinita destas perdas absurdas, é o fato de que são mulheres de diferentes faixas etárias. De diferentes gerações. Mortas por assassinos jovens e veteranos. O que indica um quadro preocupante: não há evolução, a cultura cruel de posse e intolerância segue entre os mais jovens.

São crimes impoliciáveis. Não há como colocar um policial dentro de cada casa, fiscalizando cada relacionamento. E, ao que consta, nenhum dos casos desta sexta-feira tinha medidas protetivas em andamento ou ao menos encaminhadas.

Dois desafios: criar confiança e determinação nas mulheres para não aceitar nenhuma violência - e para isto as redes de proteção precisam funcionar bem, com os três poderes em sintonia e municípios descruzando os braços - e varrer de vez está cultura asquerosa que adoece e transforma em monstros nossos homens, de todas as idades.

Um desafio amplo, gigante, de Educação, muito mais que de Segurança Pública.

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