Oscar Bessi

Seis mil pistoleiros

006-ArmasApreendidasOs resultados divulgados pela Brigada Militar, referentes ao ano de 2016, impressionam. Mesmo com todas as dificuldades conhecidas, a eficiência da polícia ostensiva e preventiva gaúcha exige uma boa reflexão por parte de nossa sociedade. Só na recuperação de veículos, foram mais de dezesseis mil recuperações, uma frota imensa que passou pela mão de ladrões, entre furtos e roubos, mas os policiais foram lá e trouxeram de volta. Ao todo, 104 mil prisões de criminosos, numa média de quase trezentos por dia. Isto mostra a seriedade e intensidade do trabalho realizado nos quatro cantos do nosso estado. Onde está a Brigada Militar, estão presentes profissionais de segurança pública que não dão descanso à criminalidade.

Foram seis mil armas tiradas de circulação. Onde estavam estas armas? Com certeza, não nas mãos de gente habilitada para o seu porte, não nas mãos de cidadãos de bem. Estavam nas mãos de pistoleiros do crime prontos para usá-las contra nós, nossos amigos e familiares. Nas mãos de traficantes, assaltantes, homicidas. Quantas vítimas cada um destes bandidos poderia fazer, com cada uma destas armas? Quantos de nós poderíamos ter morrido? Cada uma destas seis mil armas recolhidas representa um número de vítimas de armas de fogo em potencial que deixou de existir. Famílias com seus veículos, comércios, transportes coletivos, bancos, joalherias que deixaram de ser assaltadas. O reflexo de prevenção, apenas neste dado, é gigantesco. E é um dado tão intenso que foge às estatísticas, ao alcance simplesmente matemático dos números. É todo um contexto abrangente de resultados invisíveis.

Foram, acima de tudo, seis mil situações onde alguém, um homem ou uma mulher de farda, enfrentou a morte sem titubear. Pois não há dia, em nosso Rio Grande do Sul, que não haja enfrentamento entre policiais militares e criminosos. Se seis mil armas foram retiradas das mãos dos promotores da violência que tanto nos assusta, esta vitória significativa nasce na coragem de quem se dispõe a encarar o perigo, todos os dias, renunciando talvez à lógica para cumprir seu dever. A cidadania agradece. Em tempos de incerteza e frivolidades, é bom pensar sobre o assunto. E no quanto podemos fazer mais para ajudar estes combatentes cuja fibra garante a nossa paz possível. Embora queiramos, sempre, um estado melhor e mais eficiente no quesito segurança pública, assim como na saúde e educação – e esta, principalmente, como um freio essencial à fábrica de bandidos que se apresenta em descontrole, há anos, no Brasil -, é fundamental reconhecermos que há quem faça a sua parte. E talvez precise ainda mais que cada um de nós, como cidadão, faça a sua.

*foto ilustrativa - site "Jura em Prosa e Verso"