Oscar Bessi

Sete poetas gaúchos inesquecíveis 3 - Joaquim Moncks

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Alma Haragana


Joaquim Moncks (*)


Barreadas de amores, cantilenas de infância
sussurram nas paredes
e o tempo andeja nos retratos.
Lufadas de vento cochicham nas frinchas
genuinos retovos da história
no repertório da lida.
Escorrem por elas cativos caminhos
lutas de sobrevivência
gretados grilhões, amores e liberdade.

Nalguma tapera os ancestrais convivem
nas artérias de pau-a-pique
e o olho do tempo saluda a alma haragana.

Canta no coração do poeta
a celeuma dos que se foram
e o canto dos vivos é a voz das rãs e dos grilos.

O canto dos amores soluça emponchados cricrilos
e o espelho das ausências saltita nas invernias
entre fogachos e picumãs.

(*) Joaquim Moncks é Oficial PM, na reserva. Advogado. Professor de Criminologia, Ciência e Direito Penitenciário, Direito Processual Penal Militar e Segurança Empresarial.  Ativista Cultural. Agente Literário. Poeta. Declamador. Conferencista. Ensaísta. Analista literário. Nascido em Pelotas, em 29 de setembro de 1946, foi Deputado constituinte à Assembléia Legislativa do Estado,  em 1989, e presidiu a Comissão Temática de Educação, Desporto, Ciência, Tecnologia e Turismo.  Autor da "lei das PILCHAS GAÚCHAS", que oficializou a indumentária tradicional do homem e da mulher gaúcha, em respeito à ancestralidade e à tradição agro-pastoril do RS, como traje preferencial e de honra no território do Estado (1989); o que institui o 20 de novembro, dia da morte de Zumbi, o líder negro dos Palmares, como o DIA ESTADUAL DA CONSCIÊNCIA NEGRA, em homenagem à negritude rio-grandense (pela primeira vez um líder político, no Brasil, lograva pedir desculpas pela escravidão imposta aos negros); e o dia 04 de Dezembro como o DIA DO ARTISTA REGIONALISTA E DO POETA REPENTISTA GAÚCHO.