ÚLTIMA LEMBRANÇA
Luiz Menezes (*)
Eu hei de amar-te sempre, sempre além da vida.
Eu hei de amar-te muito além do nosso adeus.
Eu hei de amar-te com a esperança já extinguida
de que meus lábios possam ter os lábios teus.
Quando eu morrer, permita Deus que nessa hora
ouças ao longe o cantar da cotovia.
Será minha alma que num canto triste chora
e nessa mágoa o teu nome pronuncia.
Eu viverei eternamente nos cantares
dos pobres loucos que dos versos fazem o ninho.
Eu viverei para glória dos pesares
onde quase sucumbi nos teus carinhos.
Eu viverei no violão que à noite tomba
ante a janela da silente madrugada.
Eu viverei como uma sombra em tua sombra,
como poesia em teu caminho derramada,
pois nem o tempo apagará nossos amores
que floresceram de ilusão febril e mansa.
Quando eu morrer, eu viverei das tuas dores,
pois te levando em minha última lembrança.
(*) Luiz Menezes nasceu em Quarai, onde residiu até seus últimos dias de vida, após ter vivido a maior parte de sua vida em Porto Alegre. Poeta, com 3 livros publicados: TROPA AMARGA – ALÉM DO HORIZONTE e CHÃO BATIDO. Iniciou sua carreira no rádio em 1952. Poeta e compositor, introduziu o ritmo "milonga" em língua portuguesa, hoje uma das grandes vertentes na música do RS.

