Oscar Bessi

Simão, o brigadiano de Pelotas

(Simão, segundo o chargista Vêrsa)

Um baita sujeito. Não de altura, claro, que ele mesmo se anuncia como um “alto discreto”, simpatizante da filosofia de que tamanho não é documento, nem documento se mede pelo tamanho, côsa e tal. Brigadiano lá de Pelotas. Ele é Simão, o soldado Simão.
- Doce mão?
- Simão! Soldado Simão!
Valente uma barbaridade, como todo pelotense, nunca entendeu as tais piadas. Sabe aquelas piadas? De pelotense? Simão é baita. Baita amigo, baita gaudério, baitassexual. E Xavante de carteirinha. De torcer pelo Brasil não abre mão. Mas é o Brasil de Pelotas, frisa, sobrancelha arqueada. E não fala mais nada.
Já com tempo suficiente para se aposentar umas duas vezes e dono de um bigode tão espesso, mas tão espesso, que é impossível saber se ele ri, boceja ou anda entreverado numa costela gorda, Simão é assim. Autêntico. E pura bucha. Ele acredita que essa conversa de impunidade é pura falta de fio na bombacha. E no bigode.
- O senhor nos dá uma entrevista?
Simão é famoso. Na UPP (Unidade de Polícia de Poncho) de Canguço, é conhecido por resolver as coisas do seu jeito. À moda gaudéria, explica. Quando explica. Que ele é Simão, o Brigadiano de Pelotas. Machão e pura bucha.
- Te aprochega. - resmunga, enfiando dois galhinhos de losna num novo amargo.
- Esse negócio de tabelar a quantia de droga, pra dizer se o sujeito é usuário ou traficante ao ser pego pela polícia? O que o senhor acha?
- Pôs...
Ele enche a cuia e toma seu mate com calma. Olha o céu, o sol e o sul. Arreda o pala prum lado, o mango pro outro. Ajeita a bomba. Ajeita o bigode. Oferece ao repórter.
- Mas me diz. Também vai ter tabela pra diferenciar corrupto de assaltante?