A polícia paranaense investiga o trágico acidente que, há cerca de dez dias, matou de forma brutal nove pessoas: sete jovens da equipe de remo pelotense do projeto “Remar para o Futuro”, seu treinador e o motorista da van que os trazia de volta ao sul. Depois um histórico e belíssimo final de semana repleto de medalhas. A festa pelas conquistas e a alegria de uma cidade inteira os esperavam. Mas quem os encontrou foi a morte.
A matéria completa do Guilherme Sperafico está neste link e conta que são três as linhas de investigação trabalhadas pela equipe policial que investiga o caso. Falha humana, falha mecânica ou ambas. Nenhuma destas explicações será aceita pela família. Nenhuma solução aplacará a dor que sentem os parentes, amigos e admiradores destes atletas fantásticos. E desconfio que pedir que “será feito justiça” não passa de mais uma mera força de expressão. Nenhum de nós acredita de verdade nisto. A alegria não voltará, o brilho do olhar vencedor e do sorriso vitorioso destes jovens se foi para sempre.
Eu tento me colocar no lugar do menino João Milgarejo, o único sobrevivente. Eram seus amigos, seus parceiros, sua família no esporte. Tão jovem, com um futuro tão promissor pela frente, e já com esse fardo de dor terrível para carregar consigo. Mas ele vai passar por tudo isso. Vai voltar a vencer. E, como publicou em suas redes sociais, será por todos eles.
Agora, as questões que precisamos insistir em não calar:
Primeiro: por que um caminhão deste porte gigantesco com tantos problemas roda pelas nossas rodovias, transformando-se em uma máquina assassina? É, já foi revelado que o caminhão que bateu na van e esmagou nossos jovens atletas tinha tido diversos problemas, inclusive naquela viagem! Inclusive com falhas graves de freios! Uma carreta sem freios e sem controle não é uma máquina mortífera, por acaso? Pombas! Um carro de passeio é! Uma bicicleta sem freio pode ser! Quem não sabe disso?
Outra questão importante: como fazer para que donos de transportadoras deixem seus prazos de entrega em segundo plano e priorizem a vida nas estradas? Sim, já se sabe que o dono da carreta tinha pressa na entrega da carga lá na Argentina. Quem não sabe que o famoso “rebite”, remédio proibido para cortar o sono, ou mesmo drogas como cocaína e crack estão infestando as estradas? Qual o motivo mesmo? Os malditos prazos de entrega! Todo o problema nasce aí! Embora, claro, existam caminhoneiros e caminhoneiros: e temos uma grande maioria de bons profissionais, responsáveis, competentes, apaixonados pelo ofício. Mas não é novidade que muitos (e mesmo sendo minoria, é um número grande demais) que faz das estradas palco para suas farras e irresponsabilidades. Para estes, não adianta dar boas condições de trabalho e bons caminhões. É sua educação que não funciona. Sua falta de respeito que manda mais do que tudo.
E meu último questionamento: quando vamos rever o sistema de transporte de cargas no Brasil? Onde estão as ferrovias? Por que essas estradas precisam ser as mesmas para transportes de cargas e pessoas? Ah, é caro. Sim, é! E vidas têm preço? Desde quando? Não se joga dinheiro pública pela janela em zilhões de bobagens desnecessárias? Enquanto isto não mudar, tragédias se repetirão. E esta mudança nós precisamos cobrar de nossos representantes, pois absolutamente nada está sendo feito em lugar nenhum até hoje.
