Oscar Bessi

Sopram ventos desgarrados, já carregados de saudade do Sergio Napp

Eu sou um sujeito que se deslumbra com a grandeza e a alegria simples das pessoas. Tenho ídolos (todos temos). Eles são escritores e suas obras maravilhosas. Sergio Napp, até 2008, eu conhecia de ver, ouvir, ler. De longe. Mas com uma admiração imensa. Foi numa noite de entrega do Prêmio Livro do Ano da AGES, num restaurante do Shopping Total, em Porto Alegre, que tive o primeiro contato pessoal com o Sergio Napp. E Luiz Paulo Faccioli, então presidente da Associação, tinha me convidado para assumir a função de Vice-presidente administrativo. Eu era um novato em meio àquelas estrelas da literatura gaúcha - e outros tantos escritores maravilhosos, que sempre admirei, ali conheci, e me surpreenderam com sua humildade típica dos grandes seres humanos. Eu e o Napp seríamos os Mestres de Cerimônia do evento. E ele chegou com aquele seu jeito simples, solto e brincalhão e perguntou "como quer fazer, meu vice-presidente?". Eu apenas sorri, nervoso. Um monstro da cultura gaúcha me consultando? Fizemos a noite. Assim, decidido na hora, sem combinar nada. Brincamos, parodiamos a entrega do Oscar, nos divertimos. Napp era assim. Pura alegria e ternura. Tornamo-nos amigos e vez ou outra conversávamos à distância, ou nos encontros da AGES. Ficam suas músicas, sua poesia, seus livros, eternizados. Fica a saudade pela partida repentina de um grande sujeito. Emotivo que ando, sou apenas lágrimas. O que foi, nunca mais será. É da vida. A vida que ele sempre cantou também, para crianças e adultos.