Tragédia na nossa música
A morte do músico Diego Sanches, na Zona Sul de Porto Alegre, a poucos metros do local onde iria tocar, comoveu nossos leitores, todos os que apreciam a arte e a imensa legião de fãs do “Branco”, pandeirista do grupo de pagode D’Karanova. É triste perder um talento tão querido de uma forma tão trágica, justo quando estava em meio à labuta, indo mostrar sua música para mais admiradores. Independentemente do que a investigação policial e a perícia apontarem, fica a reflexão: se é um cruzamento e se há a sinalização adequada (este é um ponto importante), alguém se precipitou, deixou de esperar, deixou de ter atenção ou de respeitar uma regra. E uma vida iluminada foi ceifada por este gesto. Nosso trânsito tem tragédias diárias demais que acontecem assim. E só o nosso comportamento pode reverter isso.
Policiais, cuidado com os bicos!
A prisão de um oficial superior da Polícia Militar de São Paulo revelou um amplo serviço de segurança particular executado por policiais militares. Conhecendo o meio e os salários dos policiais, afirmo, com certeza, que boa parte dos soldados envolvidos na execução destes serviços sequer sabia do que havia por trás das empresas onde fazia trabalho extra como segurança. Claro, sobre quem os colocou ali, é difícil aceitar que não sabia muito bem — afinal, tem conhecimento para isso. Mas vamos ver o desenrolar. O “bico” sempre foi uma forma de os policiais complementarem suas rendas e, hoje, com essa invasão do crime organizado em empresas de fachada para lavagem de dinheiro, o negócio ficou nebuloso. Nunca se sabe quem está na sua frente. Fica o alerta aos que pleiteiam os governos federal e estadual: valorizar os policiais, dar-lhes remuneração decente e pagamento honrado de direitos devidos evita tudo isso.
Aliás…
Repito aqui há mais de 16 anos: ainda falta muito para os gestores públicos brasileiros reconhecerem que a prevenção da violência passa pela valorização completa (salarial, estrutural, ferramental) dos professores. Só a Educação pode mudar esse cenário de incentivo ao crime e à violência. Ainda mais em tempos de modas bizarras e alienações tecnológicas. Ou seja: pagar decentemente policiais e professores pode ser mais eficiente que fazer propaganda por comprar armas e viaturas, meus caros.
Mau exemplo
O futebol é paixão e, infelizmente, os maus exemplos seguem. No Gre-Nal da Arena, vimos gente que não fez seu papel em campo trocando ofensas com quem deveria estar comemorando com os seus, e não provocando adversários. Corneta é engraçada e faz parte da graça do jogo e da rivalidade. Agressão, física ou verbal, não.
Literatura policial - 5
Não há como falar em literatura policial brasileira sem, antes e acima de tudo, destacar os livros de Rubem Fonseca. Ainda que não tenha sido o primeiro autor do gênero — e ainda falaremos aqui do quarteto de autores de O Mystério (1920) e do primeiro detetive da ficção brasileira, o doutor Leite, de Luiz Lopes Coelho —, foi Fonseca quem consolidou o romance, o conto policial e o noir no Brasil. Com sua linguagem direta e crua, ele transformou sua literatura, para além de um retrato da violência urbana, em uma ferramenta de crítica social profunda. É um estilo que permeia o gênero até hoje; basta olhar os livros e filmes brasileiros atuais que abordam o tema da criminalidade e da violência. Rubem foi policial civil e advogado criminalista. Seu personagem mais marcante, Mandrake — detetive descolado e advogado mulherengo —, inspirou uma ótima série entre 2005 e 2007, além de um filme em 2012, com Marcos Palmeira impecável no papel principal.
