Oscar Bessi

Triste diagnóstico

Coluna da Edição Impressa - Página Polícia, 17/5/15

 

Impressionante, e triste, o diagnóstico divulgado esta semana pelo Mapa da Violência 2015 no Brasil. Seguimos numa escalada cruel e descontrolada de mortes brutais. São cinco brasileiros assassinados a cada hora por arma de fogo. Mais de cem por dia, mais de quarenta mil por ano. Repito: estamos falando apenas no que a pesquisa da Unesco (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura) considera como “mortes matadas por arma de fogo”. Isto deixa de lado homicídios praticados com facas, asfixias e outras violências várias. É isto mesmo. Apenas tiros. E o número atinge um patamar inacreditável, inconcebível, que supera países em guerra.

Pasmem: este estudo trabalha com dados defasados. São de 2012. Sim, vivemos numa democracia pacífica. E temos uma lei do desarmamento. Mas quem está desarmado, afinal, nesta guerra fratricida? Ainda que o estudo aponte que outros quase duzentos mil teriam sido mortos se não houvesse a política de controle de armas de fogo no país, o resultado não acalenta. Não pode ser considerado positivo. Os assassinos não estão tendo muitas dificuldades em conseguir armas e sair por aí matando seus semelhantes. Outros assassinos, que apertam o gatilho sem tocá-lo, estão dando de ombros e aprovando a mortandade, com corrupção ou omissão, por alguns interesses seus. Deprimente.

Jovens e negros são os maiores alvos. Chega-se a conclusão de que a igualdade é um discurso pífio e nada lógico. A exclusão vive travestida no cotidiano, estereotipando e fomentando ódios. O óbvio e natural seria vivermos sob um conjunto de políticas públicas de fato, e não apenas em discursos, uníssonas em todo território nacional. Que não privilegiasse castas. Que não tomasse o capital como referência. Que não marginalizasse para, a partir desta marginalização, usar a geografia social como desculpa para proibir a perspectiva, o caminho alternativo à subserviência, ou impotência, contra a máfia do tráfico - ou quaisquer outras máfias - como se fosse o mais natural da vida.

O futuro é vilipendiado quando garotos de 19 e 20 anos ocupam o topo numérico de vítimas das balas brasileiras. Não pode continuar assim. Há que se deixar todas as diferenças de lado e se pensar - e construir! -, urgente, um país unido pela paz.