Oscar Bessi

Volta às aulas: Pequeno Manual de Sobrevivência para Tempos Modernos

Modernidade é ótima. Ajuda a aprender, aproxima, desvenda. Mas exige freio. Pensar antes de postar. Respirar antes de responder. Contar até dez antes de transformar um mal-entendido em certeza, uma opinião em agressão, um empurrão em confusão. Às vezes, a atitude mais moderna é simplesmente conversar. Olhando no olho. Coisa quase revolucionária.

É volta às aulas no Rio Grande do Sul. E aquele ritual conhecido: mochila nova (para quem pode, eu só ganhava uma de meia em meia década, e olhe lá), caderno cheirando a papel recém-nascido, lápis (ainda) com ponta, caneta com toda a tinta, borracha inteira e imaculada e régua… ah, régua a gente sempre esquece em casa. De novo, a velha promessa de este ano estudar mais. Com a certeza de que o despertador sempre toca cedo demais. Ou seja, tudo normal.

Só que o mundo anda diferente. Mais rápido. Mais barulhento. E a escola precisa ser um pouco de porto seguro nesse mar agitado.

Vale lembrar que atenção hoje não é só olhar para a lousa. É resistir à tentação de levar o celular escondido na mochila. É atravessar a rua sem olhar a timeline. É entender que o cérebro também precisa de modo avião. Para voar sobre os campos férteis do conhecimento. Nem que seja só por uma tarde, uma manhã ou uma noite. Vai fazer diferença, amanhã.

Comportamento não violento também entra na lista do que devemos levar para a escola, junto com lápis e borracha. Brigar não resolve. Humilhar não ensina. Zoação repetida não é piada, é peso. Gentileza, ao contrário, não ocupa espaço e ainda melhora o clima da sala. A rua em frente à escola não é autódromo e o transporte escolar tem lugares reservados para o bem coletivo.
Um “bom dia” sincero pode ser mais eficiente que muita palestra motivacional. Ninguém é igual a ninguém. E todos somos únicos, do nosso jeito, fantásticos em algum aspecto.

Todos nós merecemos espaço. Todos nós merecemos respeito. Todos nós podemos respeitar.

Modernidade é ótima. Ajuda a aprender, aproxima, desvenda. Mas exige freio. Pensar antes de postar. Respirar antes de responder. Contar até dez antes de transformar um mal-entendido em certeza, uma opinião em agressão, um empurrão em confusão. Às vezes, a atitude mais moderna é simplesmente conversar. Olhando no olho. Coisa quase revolucionária.

No fim, a volta às aulas é isso. Um recomeço pequeno, mas importante. Para professores e alunos, famílias e escolas. Com mais atenção, menos agressividade e uma boa dose de sorrisos pelo simples fato de se estar ali. De ter a chance. Porque aprender é coisa séria. Mas ninguém disse que precisa ser chato. Só precisa ser permeado de respeito e união.

Boas aulas, 2026!