A chuva do Canadá
O Grande Prêmio do Canadá foi o primeiro com chuva nesta temporada. A tal ponto que foi preciso esperar mais de duas horas, o que tornou esta a mais demorada corrida dos últimos anos, para que a precipitação diminuísse a intensidade para dar condições de corrida aos pilotos. Se viu um pneu de chuva que deu as condições de dirigibilidade que se esperava, tanto o de chuva pesada quando o intermediário. Pelo menos nenhuma equipe reclamou de falta de qualidade. Se as equipes falam dos desgastes dos pneus normais, independentemente de sua dureza, é porque os times estavam acostumados com pneus que poderiam durar uma corrida inteira com praticamente a mesma competitividade.
O GP do Canadá trouxe emoções que há muito não se via. A prova foi decidida na última volta. Jenson Button, da McLaren, teve seis paradas nos boxes, foi para o fim do grid, esteve envolvido em dois acidentes e ainda teve força para vencer. Pode ser que seja uma característica exclusiva da pista canadense, mas se viu uma grande evolução na Ferrari, principalmente por causa dos pneus supermacios, assim como crescimento da McLaren e da Mercedes, que passaram a ficar mais próximas da Red Bull.
Um dos personagens do fim de semana foi Lewis Hamilton, da McLaren. Sua impetuosidade está beirando a maluquice. Hamilton não sabe tirar o pé quando o adversário o fecha. Foi assim com Massa em Mônaco e com Button em Montreal. Além disso, Hamilton já havia tocado em Mark Webber logo na primeira volta, obrigando o piloto australiano a buscar a recuperação na corrida.
Kamui Kobayashi mostrou que é um piloto diferenciado. Ele consegue andar mais que o carro, apesar de esta Sauber ser melhor que a do ano passado. O japonês soube economizar pneus e saltou para a segunda colocação quando interromperam a prova. Depois lutou para se manter entre os primeiros e acabou perdendo a sexta posição quase em cima da linha de chegada.
Outro destaque foi a grande prova de Michael Schumacher. O alemão sabe andar no molhado, por isso andou na frente de Rosberg. Com uma Mercedes mais equilibrada, Schumi pôde ir para cima dos adversários, mas no final prevaleu uma das características do carro desenvolvido por Ross Brawn, que é o grande desgaste dos pneus traseiros. Fala-se que o alemão estaria negociando ampliação de seu contrato até 2015, afirmação logo rebatida por Brawn. Aliás, está na época de começarem a surgir especulações sobre mudanças de cadeiras. A Red Bull estaria conversando com Lewis Hamilton, Rosberg poderia substituir Massa na Ferrari, Heidfeld pode não terminar a temporada pela Renault e por aí afora.
Felipe Massa teve sua melhor corrida no ano, mesmo que não tenha sido sua melhor pontuação. O brasileiro conseguiu até liderar a prova, mas a Ferrari não fez a melhor estratégia e chamou Massa para os boxes e logo em seguida a chuva apertou e interromperam a prova. E o acidente do brasileiro é prova que ele não consegue ter o mesmo desempenho com pista molhada. Não é a primeira vez que Massa roda ou bate quando chove, se eu não me engano, numa corrida na Inglaterra, Felipe rodou mais de duas vezes. E superando as adversidades, Massa conseguiu chegar na sexta colocação ultrapassando Kobayashi na reta de chegada. Vamos ver se a prova de Valência vai ser tão interessante quanto a do Canadá.
