A Indy em Porto Alegre e a lei contra corridas de rua
A vinda da Fórmula Indy à Porto Alegre é muito bem-vinda. Segunda categoria mais importante do planeta, a Indy busca se internacionalizar. Primeiro, garantiu provas no Japão e no Canadá. Em março deste ano, chegou a São Paulo em um circuito de rua. Tendo a Apex-Brasil como patrocinadora major, a direção da categoria viu com bons olhos (comerciais) o Mercosul, o Rio Grande do Sul e Porto Alegre. Afinal, o estado exporta vinho, calçados e carne para os EUA há anos e agora teve alavancado o setor com a Indy, como coloquei em um post anterior.
Mas o que ninguém lembrava é que as corridas de rua estão proibidas em Porto Alegre desde 1968. Foi o Schuch quem me lembrou. Luiz Arnim Schuch é editor de Geral e um apaixonado por velocidade. Ele era o repórter da Folha da Manhã que cobriu a inauguração de Tarumã em 8 de novembro de 1970. Naquela época, o esporte a motor gaúcho vivia momentos de incertezas, já que as corridas não aconteciam havia dois anos por causa de três mortes que ocorreram durante a edição das 12 Horas de Porto Alegre de 21 e 22 de dezembro de 1968. Foi uma batalha que Pedro Carneiro Pereira e Antonio Pegoraro comandaram e venceram, com muitos aliados ligados ao esporte.
Lembrei isso ao prefeito José Fortunati, que disse: "Se for preciso, mudamos a legislação. Um evento como esse vai dar projeção à cidade, vai atrair o turismo do Mercosul, do Brasil e até mesmo dos EUA. Porto Alegre é uma cidade de serviços e comércios, estando muito bem colocada no ranking dos eventos de negócios. A Indy só vai engrandecer a cidade".
Também é curioso que o Rio Grande do Sul é o estado brasileiro com a maior quantidade de autódromos do país. Temos quatro circuitos de muito boa qualidade. Tarumã, em Viamão, Guaporé, Santa Cruz do Sul e o Velopark, em Nova Santa Rita, reúnem condições para receber provas dessa importância. Tarumã já recebeu provas de Fórmula 2 internacional, Fórmula 3 Sul-Americana e todas as grandes categorias brasileiras. Guaporé passou por uma reforma neste ano e estará pronto no início de 2011 com grandes melhorias estruturais. Santa Cruz do Sul é considerado o circuito mais desafiador da Stock Car, que é a categoria mais importante do Brasil. E o Velopark, que ainda não tem seu tamanho definitivo, seria perfeito para receber uma prova desse quilate.
Mas o prefeito me disse que a direção da Indy está muito mais interessada em provas de rua. E que Porto Alegre teria locais ótimos para isso. O entorno do Hipódromo do Cristal teria sido o projeto preferido pela a comitiva da IRL que visitou a capital gaúcha.
Claro que um circuito de rua adaptado para a Indy vai ter toda a segurança que se espera para um evento desse porte. E não dá para comparar os carros que disputavam as 12 Horas em 1968 com os monopostos da categoria americana. E eu cheguei a comentar com o Erlon Radl, no domingo, em Tarumã, durante a última etapa do Marcas, que o Hipódromo daria um excelente autódromo oval, para receber tanto a Indy como a Nascar, bastaria que o Jockey Club se aliasse a um investidor privado. E nem precisaria destruir a pista que existe hoje, poderia se asfaltar a pista de terra, com as curvas inclinadas e manter o resto. Mas isso é outra história.
