
O engenheiro Mike Hewland morreu na semana passada, aos 89 anos, na Inglaterra. Este homem foi responsável por uma pequena revolução no mundo do esporte a motor e recebe muito menos crédito do que deveria por sua invenção. Todos costumam lembrar do incrível motor Cosworth que fez história na Fórmula 1 ao fornecer uma peça competitiva, mas com preço acessível para as equipes. A transmissão Hewland pode ter feito ainda mais, pois tornou possível o ajuste personalizado das relações de marcha com o preço certo para todas as categorias do esporte a motor.
Não fosse a Hewland e, provavelmente, o Cosworth teria uma história muito menos bem-sucedida do que conhecemos. Os câmbios Hewland estavam lá desde 1961 para aguentar o tranco dos pequenos motores de 1.500 cc que giravam a velocidades nunca vistas até então. Quando o Cosworth chegou, no final da década, a caixa MK6 era a peça ideal para a nova geração da Fórmula 1, com chassis leves e integrados. Seu perfil baixo também tinha a vantagem de manter o centro de gravidade no local certo.
Hewland criou sua caixa MK1 a partir da carcaça das transmissões Volkswagen, em 1960. Ele removeu os sincronizadores originais do câmbio e colocou peças manufaturadas pela própria fábrica para abrir espaço para uma quinta marcha, elemento essencial para aproveitar melhor a curva de potência dos motores. Ele também teve a ideia de inverter os componentes internos e a própria posição da caixa para reduzir o tamanho da carcaça e melhorar a distribuição de peso, outro fator diferenciado que as competições de automóvel ainda não tinham visto na época.
Hoje em dia, as caixas Hewland continuam levando a potência de tudo que é tipo de motor para o asfalto no mundo inteiro. Inclusive aqui no Rio Grande do Sul, onde equipe desde carros de Fórmula, passando por turismo e os protótipos da Endurance!
