Bernie na corda bamba por denúncias financeiras ameaça futuro da F-1
Acusações de suborno contra Bernie Ecclestone finalmente podem dar às equipes e montadoras o que elas queriam: mais poder financeiro e controlador nos direitos de TV da Fórmula 1. Mas também ameaçam o futuro da categoria. Ocorre que, nos idos dos anos 2000, Bernie tomou um empréstimo para recomprar parte dos direitos de transmissão que ele havia vendido na década de 1990. Tudo normal, não fosse um detalhe: desvio de dinheiro, muito dinheiro e suborno.
Nosso amigo todo-poderoso do automobilismo pagou US$ 44 milhões para um certo Gerhard Gribkowsky, à época diretor-financeiro de riscos do banco alemão Bayern LB. Curiosamente, US$ 3 milhões saíram diretamente das contas de Bernie, mas os outros R$ 41 milhões foram retirados do próprio banco, uma estatal, e sumira das contas públicas, rumo à vida de milionário tropical para Gribkowsky.
Bernie alega que foi chantageado pelo diretor-financeiro. Ele garante que Gribkowsky conseguiu documentos que poderiam ser utilizados para falsificar evidências de que o gerenciamento da F-1 estava sendo conduzido de forma errada e imprudente. Qualquer que seja o resultado, é quase certo que Bernie terá de desistir um pouco do seu punho de ferro e dar mais controle aos que fazem o espetáculo.
É uma situação que pode abalar as estruturas das corridas como conhecemos. As equipes há muitos anos querem oferecer contratos comerciais a outras entidades e, ainda, forçar mudanças de regulamento mais abrangentes e menos limitadoras que as impostas pela FIA sob a chancela de Bernie. O fato é que, sem decisão do mundial, o GP da Índia é uma vitrine meio frágil neste final de semana, para uma categoria imersa em denúncias de corrupção do seu principal gestor.

