E agora Rubinho?
A dança das cadeiras baixou a música duas vezes nesta terça-feira e em nenhuma delas Rubens Barrichello conseguiu seu cockpit na Fórmula 1. Uma delas foi confirmada e assinada, a da Williams, na qual ele e Bruno Senna "guardavam caixão". A outra, da Caterham, deverá ficar com Vitaly Petrov, com seus euros russos tirando a vaga do italiano aposentado Jarno Trulli. Sobra a Hispania, mas esta é a cadeira do pé quebrado, que ninguém mais quer e não leva a lugar algum. Parece o ocaso para o brasileiro, piloto com mais corridas disputadas na história da categoria.
Não teremos uma 20ª temporada, a princípio, com Rubinho. Por sinal, acompanhar Fórmula 1 ao vivo, para mim, é uma experiência que sempre esteve atrelada à presença de Barrichello no grid. O ídolo sempre foi Ayrton Senna, mas dele só tive idade para assistir e compreender a temporada de 1993. E nesta, já estava lá o "sucessor que nunca foi". Não, os resultados nunca espelharam os do homem que Barrichello sempre definiu como mentor, mas ele soube da sua maneira marcar sua passagem extensa pelo circo. Ainda não sei se terminou, pois como Michael Schumacher voltou ao grid aos 43 anos, não é descartável que o brasileiro também possa retomar.
Apesar da "má" fama de pouca agressividade, potencializada por brincadeiras e piadas, o fato é que Barrichello foi um dos pilotos que mais protagonizou belas ultrapassagens nas últimas duas décadas. Ainda no ano passado, teve um momento arrepiante ao colocar ao lado de Schumacher na Hungria, a centímetros do muro para concluir uma manobra inesperada e que entrou para as melhores do ano. Na Brawn, em 2009, fez diversas corridas de recuperação, com problemas na embreagem para as largadas, nas quais esbanjou formas de passar outros carros.
Escolhi, porém, uma que só vi Barrichello fazer. Um "duplo x" em outro adversário. Foi em 2003, no GP de San Marino, contra Ralf Schumacher, da Williams. Num dos circuito mais difíceis de se passar outro carro, Rubinho "inventou" um modo, driblando o alemão para o lado sujo, colocando o carro fora, e de repente atirando o carro para a linha de dentro da chicane final do circuito. Um balé fantástico que valeu a corrida. Assistam:

