Em dia de aniversário em Tarumã, conheça o vocabulário da pista
Hoje são comemorados 41 anos da inauguração do Autódromo Internacional de Tarumão, construído em 1970. Uma das poucas pistas particulares do Brasil, junto com o Velopark em Nova Santa Rita e o Autódromo Internacional de Curitiba (PR), a pista de Viamão, na Região Metropolitana, tem mais história do que um simples post pode contar.
Em décadas de serviços ao automobilismo gáucho, porém, ela contribuiu como nenhuma outra para a formação de uma cultura das pistas no Rio Grande do Sul. Nisso, ajudou a formar um vocabulário próprio que o PitLane, com auxílio do Niltão Amaral, compartilha os significados em homenagem a uma das grandes paixões gaúchas que se reúne com mais força nas 12 Horas em 10 de dezembro:
Com a mãe na zona - Diz-se que o cidadão está (ou vem) "com-a-mãe-na-zona" quando vem muito rápido, alucinado, andando muito forte na pista. Uma referência que não é desabonadora à progenitora do piloto, mas sim à situação emergencial que ele vive de chegar na frente.
Pé no porão - É a expressão utilizada para substituir o pisar fundo. Significa pressionar o acelerador o mais forte que puder, como se quisesse furar o assoalho do carro até chegar nas profundezas.
Dando no bucho - Também utilizado para quem está andando rápido, num ritmo forte na pista. A origem devem ser as corridas de cavalo na cancha reta. A esporeada na região equínica abdominal para que o animal aumente a velocidade. Não, ainda não foi descoberta região abdominal nos veículos automotores.
Sentado no banco traseiro - Está uma pérola cunhada pelo tradicional locutor das provas gaúchas, o Ademir Perna. É empregada quando em uma briga de pista o perseguidor do líder está seguindo extremamente próximo, quase ultrapassando. A atenção é necessária pois ela pode ser utilizada mesmo em competições de protótipos e fórmulas, apesar destes carros não possuírem assentos de passageiro em qualquer forma, como os carros de turismo. Não adianta dizer que dá para sentar no aerofólio.
Meia roda - É aquele indivíduo entusiasmado pelas corridas, mas que a natureza deu poucos dotes de destreza e talento. Normalmente recebe a alcunha durante alguma prova em que não consegue acompanhar o ritmo dos outros e ainda atrapalha como retardatário.
Panca - A famosa pechada, ou acidente. Num automobilismo de alta competitivdade e grids cheios, como o que ocorre no Rio Grande do Sul, costuma acontecer em todas as provas, normalmente sem maiores consequências físicas aos pilotos. O aumentativo, pancão, denota algo mais grave, provavelmente requisitando assistência médica e uns meses só tomando mate e comendo carninha magra, sem exagerar.
Comprou um terreno - Outra do Perna. Ocorre quando o piloto perde o controle e roda para fora da pista, retomando a seguir o traçado normal. Alguns dos nossos ases do volante apreciam tanto a paisagem de algumas saídas de escape que voltam muitas vezes para analisar seu lote e ver se um dia realmente adquirem a propriedade.
Fez a jardinagem - Semelhante ao verbete acima, mas com menos repercussões. É aquela saída de pista rápida, que levanta uma poeira para engasgar a torcida e trazer aquela emoção nas brigas mais renhidas. A grama e os jardineiros do autódromo, porém, não gostam muito.
Roda presa - Barbeiro mesmo, é aquele piloto que executa uma manobra com pouca reflexão e/ou habilidade e acaba gerando acidentes, mesmo que envolvam apenas ele mesmo.
Briga de facão ou de foice - Refere-se ao ápice do espetáculo, a briga por posição. São os pegas de muitas voltas que apavoram os patrocinadores, já que vai-se embora a tinta de portas, parachoques, aerofólios que coisa que o valha. Com excesso de entusiasmo, pode acabar em panca.
Quadriculada preto-e-branca e um abraço, com a vitória - É aquela hora em que o vencedor copero dá tchauzinho aos adversários, enquanto o nosso amigo Perna anuncia o primeiro lugar com uma das frases mais marcantes do automobilismo.
Para fechar em grande estilo, um momento clássico em vídeo narrado pelo Perna:

