Emerson sabia os atalhos e criou relação especial da equipe Fittipaldi com Long Beach

Emerson sabia os atalhos e criou relação especial da equipe Fittipaldi com Long Beach

Pista de rua protagonizou alguns dos melhores momentos do único time brasileiro na Fórmula 1

Bernardo Bercht

Pista trouxe primeiro ponto e último pódio da Fittipaldi

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A equipe Fittipaldi desenvolveu uma relação especial com a pista de Long Beach, desde a primeira largada no exigente e desgastante traçado de rua norte-americano. Alguns dos melhores resultados do único time brasileiro vieram na Mônaco do Tio Sam, inclusive o primeiro ponto na categoria.

Na verdade, as características demolidoras de carros, com o calor e as várias camadas diferentes de asfalto e concreto influenciaram. Talvez tenham se encaixado perfeitamente com o estilo clínico e analítico do bicampeão Emerson conduzir suas corridas na F1.

Foi assim que Emerson buscou o primeiro e valoroso pontinho na edição de 1976. Classificou em 16º dos 20 que largaram, mesmo tendo que usar um aerofólio reserva, mais lento que o pretendido para a pista, destruído em um acidente no treino.

Veio a corrida e o brasileiro evitou a colisão de Carlos Reutemann e depois escalou o pelotão estoicamente. Ao fim da jornada, mesmo uma volta atrás do vencedor Clay Regazzoni, festejou o feito nacional em meio aos muros de concreto.

Em 1977, a Fittipaldi já sabia os caminhos e a performance melhorou imensamente. Emerson fez o sétimo tempo, a apenas sete décimos da Ferrari de Niki Lauda, o pole. A corrida foi um verdadeiro tormento mecânico para os carros, apenas oito deles efetivamente andando na quadriculada preto e branca.

O brasileiro poderia ter atacado no começo, mostrou performance contra a Tyrrell de Depailler, mas parece ter percebido que seria a receita para o abandono. Após ver James Hunt voar para o muro na largada, assumiu o sexto lugar e preferiu dosar o ritmo, sempre nos pontos. E o quinto lugar veio, último na volta do líder e a apenas seis segundos da Tyrrell, que quase não chegou na linha final. O resultado colocava a Fittipaldi em quinto no mundial de construtores, naquele momento, com oito pontos!

Aí vamos avançar uns anos para comentar que, mesmo em 1981, nos últimos momentos da equipe, Long Beach trouxe o melhor resultado da temporada para o time brasileiro. Já sem a especialidade de Emerson, Keke Rosberg botou o carro em 16º e Chico Serra estava no volante para classificar em 18º; até com certa folga no grid de 24 carros.

Veio a prova e, de novo, o carro da Fittipaldi sobreviveu a uma prova cruel que classificou apenas oito carros na bandeirada. Serra estava lá, em sétimo, performance que não se repetiria mais naquela temporada. Muito perto da Theodore de Patrick Tambay e de um pontinho precioso.

Mas precisamos falar da última consagração da equipe em 1980, também nas ruas californianas. Emerson teve que tirar tudo e mais um pouco de um carro dificílimo para colocar o Fittipaldi em último no grid.  Superou a Shadow  de David Kennedy por menos de dois décimos e estava inesgotáveis 3,6s atrás da pole do compatriota e nova estrela Nelson Piquet!

Só que o veterano sabia dos atalhos de Long Beach e na primeira volta ganhou várias posições. Na quarta passagem, ele vislumbrou um mínimo espaço entre os carros de Bruno Giacomelli e Carlos Reutemann, enquanto uma enorme fila batia ou ficava presa num congestionamento após a dupla rodar e bloquear o caminho. E por ali Emerson passou para, de repente, se ver em quinto lugar na parelha!

Comboiou Gilles Villeneuve, até a Ferrari quebrar e, depois, viu René Arnoux se arrastando com a Renault e um pneu furado. O Rato praticamente não acreditava em ter escalado de 24º para o pódio. Só que o troféu não viria de presente. Perto do fim, John Watson encostou com a McLaren e chegou a passar. Emerson mandou a cautela às favas e correu riscos raros na sua carreira, ainda mais em pistas de rua. Grudou de novo no britânico e ainda contou com a perda de uma marcha da McLaren para dar o troco.
Cruzou em terceiro e foi ao pódio celebrar com o mais novo vencedor brasileiro na Fórmula 1, Piquet. Ainda era o Emerson bicampeão, com as costeletas e os óculos escuros de dez anos antes. A saideira dele e da equipe nacional, em grande estilo.


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