A corrida de 1962 marcou a primeira vitória do escocês voador Jim Clark em sua pista mais odiada. Essa é uma situações curiosa, já que o escocês venceria todas as provas realizadas no circuito de 1962 a 1965. Existe uma explicação, no entanto. Um grande amigo de Clark, Archie Brown, morreu numa corrida de protótipos em 1958 e desde esse momento, o ódio com a pista estava registrado. Mais engraçado ainda é constatar que Clark adorava Mônaco e mesmo assim nunca ganhou no principado…
Até 1966, não foram registrados grandes acidentes nas estradas belgas. Durante as gravações do filme Grand Prix (cenas no filme abaixo), porém, um temporal desabou no traçado e parecia que o show de horror retornaria. A principal vítima do aguaceiro foi Jackie Stewart, que aquaplanou e bateu com violência, preso nas ferragens e ensopado de gasolina. Esse acidente foi um marco para a F1 moderna, pois a partir daí é que o jovem escocês começaria a sua cruzada por melhores condições de segurança nos circuitos da F1, a vitória ficou com John Surtees com a Ferrari.
Dan Gurney – segundo o pai de Jim Clark o único piloto que o escocês temia – foi o vitorioso em 1967 com o seu Eagle-Westlake. No circuito técnico e desafiador de Spa, os dois amigos sempre se destacaram, mesmo que o americano não tenha transformado performance em resultados tão bem como Clark.
No primeiro ocaso de Spa, Bruce McLaren venceu em 1968 com o seu carro. Ali já começavam discussões quanto aos riscos da prova naquele traçado rápido e sem medidas de segurança, com postes e árvores espalhados pelo circuito. 1969 não teve uma prova na Bélgica e a F1 voltou apenas mais uma vez em 1970, quando Pedro Rodriguez venceu no seu Yardley McLaren.
Começava um grande intervalo para o autódromo, que só retornaria ao calendário em 1983, após modificações intensas que reduziriam as suas dimensões para o modelo moderno da F1 e definiriam uma cara parecida com a que o circuito tem hoje em dia. A tragédia marcou os anos 1960 em Spa, mas também o glamour de Hollywood e o domínio do escocês voador naqueles tempos aventureiros, onde os pilotos paravam para uma conversa de paddock sentados “no capô” dos bólidos, para matar os minutos para a largada.

