Pitlane

Estudantes criam protótipos que fazem 700 km/l na Shell Eco Marathon

Desafio universitário tem três equipes gaúchas, nas classes à combustão e elétrica

Protótipos super eficientes disputam troféu da tecnologia
Protótipos super eficientes disputam troféu da tecnologia Foto : Bernardo Bercht / Especial CP

Uma corrida com a vanguarda da tecnologia a 25 km/h... Na Shell Eco Marathon no Rio de Janeiro o limite de velocidade é o mínimo e o mais importante é percorrer muitos quilômetros gastando menos combustível ou bateria. Entre esta terça-feira e quinta-feira cerca de 500 estudantes colocam os protótipos de suas equipes à prova para desafiar a física, a famosa conservação de energia.

Na verdade, como explica o gerente global do evento, Norman Koch, usar a física a seu favor e à favor da engenharia automobilística. "Os estudantes aprendem aqui a lidar com duas coisas que são escassas na vida: tempo e dinheiro. Se o carro não estiver pronto até amanhã à tarde ou quinta-feira à tarde, não existe extensão de prazo", pondera.

"Na vida profissional, seja na sua profissão ou na minha, sempre poderíamos fazer mais se tivéssemos mais dinheiro. É claro que você pode fazer melhor com muito mais dinheiro, mas precisa atingir seus objetivos com o orçamento que tem e dentro do tempo disponível. Você precisa fazer o melhor com aquilo que tem. Esse é o segundo aprendizado: lidar com a realidade, e não pensar 'eu poderia fazer muito melhor se tivesse mais 10 mil reais'. Claro que poderia. Mas esse não é o ponto."

E eles fazem muito. O atual recorde mundial é de 3,7 mil quilômetros com um litro de combustível, um teto bem alto para os brasileiros, mas com improviso, criatividade e foco, a marca é uma inspiração. Os atuais recordistas brasileiros em motores a combustão são do Instituto Federal do Rio Grande do Sul em Erechim, o Drop Team, com mais de 700 km/l. Na classe elétrica, há times do IFRS de Rio Grande e do IFSul de Charqueadas representando o Estado.

De acordo com o capitão da equipe, Marcelo Boff Santos, a busca é sempre pela evolução. "Nós temos o recorde nacional de 716 quilômetros por litro e temos a responsabilidade de melhorar. Em 2023, essa era a nossa meta. Em 2024 e 2025, nós conseguimos, mas estamos hoje novamente tentando ultrapassar esse limite", salienta.

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Estudantes desenvolvem também carros urbanos conceituais | Foto: Bernardo Bercht / Especial

É uma trajetória de uma década para ostentar o número 1. "A nossa equipe existe há dez anos, e este carro está sendo desenvolvido há cinco anos. Então, foi uma experiência de longo prazo. Um aluno vai passando a experiência para o outro, e o carro chegou ao ponto em que está hoje. Tem pessoas responsáveis pela parte mecânica, outras responsáveis pela parte de carenagem, e assim por diante. É dessa forma que a equipe vai se desenvolvendo", explica.

Além da combustão e protótipo, a Shell Eco Marathon tem carros elétricos, a hidrogênio e as propulsões se dividem também para conceito de carro urbano. Koch detalha o desafio.

"Eles podem construir um de dois tipos de carro: um protótipo ou um conceito urbano. Os protótipos geralmente são carros muito baixos, de três rodas. Já os carros de conceito urbano, como o próprio nome diz, são mais parecidos com carros de cidade, pequenos carros que poderíamos ver nas ruas, com quatro rodas e uma aparência mais convencional", define.

A essência da disputa, contudo, é a propulsão. "Depois, eles podem escolher uma entre três fontes de energia. Podem escolher combustão, com um motor convencional, como muitos de nós ainda temos em nossos carros, utilizando gasolina, diesel ou etanol. Essa é a categoria de combustão", comenta o executivo da Shell.

"Há também a categoria elétrica, com um motor alimentado por bateria, e a categoria de célula a combustível de hidrogênio, na qual eles têm um cilindro de hidrogênio e uma célula a combustível, que é um dispositivo que transforma hidrogênio em eletricidade. Nessas três categorias, eles competem para ver quem consegue percorrer a maior distância utilizando a menor quantidade de energia. Esse é o objetivo."

Inspeção técnica é desafio à parte | Foto: Bernardo Bercht / Especial

E velocidade não é a receita. Na verdade, os competidores devem percorrer 10 voltas do circuito no Pier Mauâ em no máximo 25 minutos. "E eles buscam usar até o último segundo, às vezes perdem a tentativa por fazer 25min01s, mas a comunicação é muito boa e os times de ponta terminam em 24min59s", explica Koch. "A técnica que funciona é acelerar forte, às vezes até uns 40 km/h e aí soltar o carro com o motor desligado, para depois acelerar de novo. Os melhores aceleram cerca de 5s", detalha.

Antes, é preciso passar numa avaliação técnica criteriosa, com 10 etapas, para ser liberado para a pista. É uma festa à parte, com direito a foto oficial, quando os times passam. Depois, são seis tentativas para cada equipe fazer sua melhor sequência de voltas e buscar os recordes, além de mudar a história da energia automotiva.