F1 começa testes com Mercedes na frente, surpresa da Racing Point e Ferrari discreta
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F1 começa testes com Mercedes na frente, surpresa da Racing Point e Ferrari discreta

Lewis Hamilton liderou em Barcelona, mas concorrência ficou a menos de um segundo do hexacampeão

Por
Bernardo Bercht

Flechas de Prata começam o ano assustando a concorrência

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Os motores voltaram a roncar! A Fórmula 1 2020 começou nesta quarta-feira, mas sem os dramas que marcaram as últimas temporadas - fracasso da McLaren-Honda, atraso da Williams, quebras da Red Bull. Dessa vez, tivemos umas surpresinhas para começar os trabalhos, mas nenhum susto sobre quem está no topo da tabela. A Mercedes já nasceu dominadora, com Lewis Hamilton virando fácil na casa de 1min16s976, mais de um segundo melhor que a estreia da Ferrari no ano passado, com 1min18s. Pela primeira vez, nos tempos modernos, ninguém sofreu quebra mecânica e todo mundo acumulou mais de um GP de quilometragem.

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As surpresas? Bem, precisamos falar de Racing Point. Sérgio Perez cravou 1min17s375, a  três décimos de Hamilton e encheu de sorrisos a turma de rosa nos pits. Só que também torceu um monte de narizes de Haas, Alpha Tauri, Williams e companhia. O novo carro do time é, claramente, uma Mercedes W10 pintada de rosa. O engenheiro Andrew Green inclusive admitiu ter "perseguido a filosofia" dos alemães, mas a verdade é que o modelo é um xerox perfeito do carro campeão de 2019, com alguns refinamentos nas laterais e na asa dianteira.

Com uma base já "testada" e comprovada, a Racing Point achou rapidamente o ritmo e deixou para trás inclusive a Red Bull, principal candidata a incomodar os prateados na luta pelo título. Max Verstappen foi o primeiro carro "não-Mercedes" com o quarto tempo, em 1min17s516. Vale citar que fez vários stints longos, com o carro pesado e virou boas 168 voltas, mais de dois GPs completos, mostrando a confiabilidade do motor Honda. Resta saber se vai faltar potência, porque o potencial para andar na frente está lá.

A outra surpresa do dia foi a total coadjuvância da Ferrari. Depois de apresentar o carro mais transformado para a nova temporada, a poderosa Scuderia passou quase incógnita pelo dia de treinos. Sebastian Vettel se sentiu mal (já começou bem!) e passou o volante para Charles Leclerc. O monegasco não foi além do 11º tempo, a 1,3s das Mercedes. Ele garantiu que os italianos "mudaram a abordagem" em relação ao 2019, quando lideraram quase todos os treinos. Mas ainda que tenham rodado "pesados", fizeram menos voltas que Mercedes e Red Bull, com Leclerc totalizando 132. Na impressão de pista, o carro da Ferrari parecia menos confortável nas mudanças rápidas de direção, no comparativo com o nervoso e aderente Red Bull e a Mercedes sobre trilhos.

Já que o xerox foi a tônica do primeiro dia, outra copiazinha também mostrou suas asas no quadro de tempos. Daniil Kvyat cravou o quinto tempo com a Alpha Tauri, claramente inspirada na Red Bull do ano passado. Ainda fez 116 voltas no caminho. Azedos ao serem superados pelas "cópias", McLaren e Renault vieram em seguida, mas com um começo mais empolgante que no ano passado e a menos de um segundo da Mercedes. Foi dia de reestreia para Esteban Ocon, que deu suas primeiras voltas na Renault e ficou atrás de Daniel Ricciardo por um décimo.

Com metas bem mais modestas, a Williams era só sorrisos. George Russell não escondia a empolgação com o novo carro "água e vinho" na comparação com o "perigoso" Williams de 2019, nas suas próprias palavras. O time britânico parece ter feito uma receita de bolo simples, mas que funcionou. Russell ficou em nono, com 1min18s168 e o estreante Nicholas Latifi foi 12º. Foi suficiente para ficarem à frente de Haas e Alfa Romeo com alguma folga. Os dois carros de motor Ferrari foram os que se mostrara menos "no chão" para este primeiro dia. Resta saber se esconderam o jogo como a Scuderia principal, ou vão ter que correr atrás do prejuízo, literalmente.