Ayrton Senna e Lewis Hamilton de um lado, Franco Colapinto do outro (???). A batalha dos bonés e camisetas dentro e nos arredores de Interlagos tem a novidade argentina em 2024. Os Hermanos invadiram São Paulo com a febre gerada pelo jovem piloto que estreou como revelação na Williams. O bicampeão de Fórmula 1, Emerson Fittipaldi, vê como positiva a onda e divide a paixão pelo esporte.
"É interessante falar dos argentinos, quem é do sul sabe que o automobilismo brasileiro e argentino trabalham juntos", avalia o decano do esporte a motor brasileiro. "Eu era maior fã do Juan Manuel Fangio quando era muleque", lembra, ao comentar o tempo das carreteras.
Emerson não vê o mesmo tipo de animosidade que ocorre no futebol. "Existe uma rivalidade, mas uma torcida junto. É diferente do futebol, somos da América Latina. No automobilismo, é muito bacana ter o Franco Colapinto", comemora o ex-piloto.
O Brasil teve apenas presenças esporádicas com Pietro Fittipaldi, em duas corridas, desde que Felipe Massa se aposentou, em 2017. "Imagina, temos apenas o Franco em um espaço de mais de cinco anos do mundial. E nunca tinha acontecido", salienta Fittipaldi.
Fato é que os bons resultados e a quebra do jejum de décadas trouxe milhares de argentinos para Interlagos. Mais de 2 mil compraram ingressos, outros tantos estão apenas pela festa na volta da pista, marcando as entradas para ter ao menos um vislumbre de Colapinto.
Num dos hotéis da região central de São Paulo, apenas um de todos os quartos reservados foi para brasileiros. É uma embaixada da Argentina informal. Nos corredores, café da manhã, elevadores, saguão só se ouve um idioma, e não é espanhol: é "Vamos Colapinto!"
