A maior volta de todos os tempos da F1 já foi descrita de tantas formas, com tantos bastidores, que nos 30 anos do momento mais Senna dos momentos Senna, resolvi buscar na mente do Bernardo de 1993 a experiência ao vivo em Donington Park.
No ano que deveria ser todo de Alain Prost com a Williams de outro planeta, Ayrton fez o guri de 7 anos acreditar. As Williams são 2s mais rápidas? O motor da McLaren tem 50 cavalos a menos que a Benetton? Com chuva em Interlagos veio a vitória e Senna largava como líder do campeonato na terceira etapa, o GP da Europa.
E chovia de novo. Na mente infantil sequer havia dúvia de que o quarto colocado naquele grid empapado de água seria o vencedor no fim daquela manhã de domingo.
Mas veio a largada e o Brasil de 7 anos lamentou com Galvão Bueno o chega para lá de um certo Michael Schumacher no consagrado capacete amarelo. Um palavrão contra ele e Karl Wendlinger saiu na hora, sem nem ser repreendido pelos pais.
A frustração foi substituída em duas curvas por aquela mágica, o deslumbramento que só na mente infantil tem o mesmo impacto. A diferença é que Ayton Senna da Silva estava deslumbrando todo mundo, até os rivais na pista.
Na sujeira, na água, sem saber se o carro grudava ou não, ele contornou por fora a sequência de curvas depois da largada para despachar Benetton e Sauber, logo pintando na cola das Williams.
O Bernardo de 7 anos perdeu a ultrapassagem sobre Damon Hill, ao correr empolgado pela sala com as manobras anteriores, mas estava vidrado na TV logo a seguir, quando o carro branco e vermelho devorava os metros em direção ao amarelo e azul.
A trilha do filme Tubarão veio à mente, enquanto Senna rasgava pela reta. "Não é possível, vai passar todo mundo na primeira volta?" Colocou de lado, mergulhou, tracionou melhor e foi embora. Depois disso, não lembro mais nada, só da história.
