Pitlane

Kubica lidera domínio da Ferrari nas 24 Horas de Le Mans

Polonês teve seu momento redentor na carreira, ao lado de Ye e Hanson, evitando ataques da Porsche no fim

Polonês entra para as lendas do endurance
Polonês entra para as lendas do endurance Foto : Fred Tanneau / AFP / CP

Em um daqueles roteiros inesquecíveis do automobilismo, Robert Kubica enfim chegou à sua redenção definitiva. Neste domingo, alcançou a vitória mais simbólica de sua carreira. Aos 40 anos, o polonês, que teve sua trajetória na Fórmula 1 brutalmente interrompida por um gravíssimo acidente de rali em 2011 — que deixou sequelas permanentes em seu braço direito —, conquistou sua redenção ao triunfar nas 24 Horas de Le Mans de 2025, pilotando a Ferrari 499P #83 da equipe AF Corse.

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O feito é ainda mais marcante por ser parte de uma hegemonia vermelha no circuito de La Sarthe. A vitória deste ano representa o terceiro triunfo consecutivo da Ferrari na principal prova de endurance do planeta, consolidando a marca de Maranello no topo da era dos hipercarros do Mundial de Endurance (WEC). Apenas a Porsche estragou o que seria uma trifeta de Ferraris no pódio, com um segundo lugar de Kevin Estre, Laurens Vanthoor e Matt Campbell.

Kubica dividiu a condução da máquina italiana com o chinês Yifei Ye e o britânico Philip Hanson. O trio foi impecável na estratégia, consistente no ritmo e cirúrgico na execução — sobretudo nas horas finais, quando a chuva ameaçou transformar o circuito em uma armadilha.

Não foi uma corrida simples. A concorrência da Toyota e da Porsche esteve presente o tempo todo, especialmente nas horas noturnas, quando o desgaste dos pneus e as incertezas climáticas bagunçaram qualquer previsão. Mas a Ferrari sempre esteve no controle, depois de claramente fazer a classificação com o pé lá em cima.

A vitória de Kubica tem um peso que vai além do troféu. É a realização de um sonho que parecia ter ficado no passado, quando o polonês quase perdeu o braço em uma batida de rali pouco antes de iniciar sua segunda temporada pela Renault na Fórmula 1. Desde então, sua luta para se manter competitivo no automobilismo virou símbolo de superação. Chegou a voltar brevemente à F1, mas foi no endurance que encontrou um novo lar — e, agora, seu maior momento.

“Que trabalho incrível de todos. Não foi uma carreira fácil e sem problemas, mas fomos rápidos e fortes fazendo poucos erros", disse Kubica.

O domínio da Ferrari se consolidou também com o terceiro lugar do carro #51, pilotado por Alessandro Pier Guidi, James Calado e outro ex-F1, Antonio Giovinazzi.

Entre os brasileiros, Felipe Nasr foi o melhor colocado, com o nono lugar no Porsch #4. Desta forma, não conseguiu formar a trifeta após ter ganho também 24 Horas de Daytona e 12 Horas de Sebring.

Na categoria LMGT3, a equipe alemã Manthey Racing manteve sua invencibilidade em Le Mans e conquistou a vitória pela segunda vez consecutiva. O trio formado por Richard Lietz, Riccardo Pera e Ryan Hardwick, no Porsche #92, fez uma prova consistente e praticamente livre de problemas para superar a Ferrari #21 AF Corse e a Corvette #81 da TF Sport, que completaram o pódio. O austríaco Richard Lietz celebrou assim sua sexta vitória nas 24 Horas de Le Mans.

Quem também chamou atenção foi o multicampeão de MotoGP Valentino Rossi, que liderou boa parte da prova com o BMW #46 da Team WRT, mas acabou abandonando por um problema elétrico quando o carro estava nas mãos de Kelvin van der Linde.

Já na LMP2, a decisão foi dramática nos minutos finais. O protótipo #43 da Inter Europol Competition parecia encaminhar sua vitória, até receber uma punição por excesso de velocidade no pit lane, que entregou momentaneamente a liderança ao carro da VDS Panis Racing. No entanto, a sorte virou novamente quando, a apenas 20 minutos do fim, o líder Esteban Masson teve uma pane repentina, permitindo que Nick Yelloly reassumisse a ponta e garantisse o segundo triunfo da equipe polonesa em três anos na categoria.