Pitlane

Morre Piero Gancia, um dos maiores nomes do automobilismo

Morre Piero Gancia, um dos maiores nomes do automobilismo

 O automobilismo brasileiro perde um dos maiores nomes de sua história: Piero Vallarino Gancia morreu aos 88 anos. Ex-piloto e ex-dono de equipe, Gancia foi um dos grandes dirigentes do país. À frente da CBA, levou o GP de Brasil para São Paulo depois que Interlagos foi reformado, deixando de ter 7.960m e passando para os atuais 4.309m.
Nascido em 30 de agosto de 1922 na cidade de Torino (Itália), Piero Gancia se apaixonou pelo Brasil quando veio visitar o país a negócios, e para cá se mudou em junho de 1952, já casado com Lulla Gancia e com o primeiro de seus três filhos. Piero era o representante para a América Latina dos famosos vinhos e espumantes "Asti", criado por seu bisavô, e um dos herdeiros do Vermouth Gancia.
Piero conta que sua paixão pela velocidade começou cedo, aos dez anos, quando seu pai o levou em 1932 a assistir uma corrida pela primeira vez, e tornou-se uma realidade no Brasil, mas na Itália já havia feito um curso de automobilismo em Monza com Piero Taruffi. Seu pai, que por sinal guiava muito mal, tinha medo, e da Itália pedia para ele não correr.
Muito se orgulha de ter vencido o lendário Chico Landi, um de seus ídolos. Foi o primeiro campeão brasileiro de automobilismo, quando esse Campeonato foi instituído em 1966 e composto de 3 provas: 1000 Km de Brasília, 500 Km de Interlagos e 1000 Km da Guanabara. Elegante, um porte de nobreza, educado, fino, inteligente, ganhou aqui, uma companheira nas pistas: sua própria esposa Lulla Gancia, pois ela também começou a correr. (ver abaixo) Piero anos 60
No Brasil, e já dono de uma Alfa Giulietta, em 1961 conheceu um mecânico italiano que havia trabalhado com Fangio, Giuseppe Perego, através dele ficou conhecendo Emilio Zambello, também italiano, que já corria, e começou a freqüentar a pista de Interlagos. E fazendo parceria com ninguém menos que Celso Lara Barbéris, um dos maiores “feras” da época, estreou nas “12 Horas de Interlagos” com sua Alfa Giulietta preparada pelo Perego, 5° Lugar na classificação geral.
A amizade com Zambello cresceu e ainda em 1962 formaram, junto com Perego, uma “scuderia”: a "Jolly-Gancia”, esse nome foi escolhido em homenagem à grande "scuderia/clube" italiano, e que se tornou uma das melhores equipes da década de sessenta e que contou, além dos dois “italian gentlemans”, com José Carlos Pace, Marivaldo Fernandes, Wilsinho Fittipaldi, Abílio Diniz e muitos outros. Em 1964, com a concessão de venda das Alfas importadas no Brasil, ele abriu uma loja/oficina, com Zambello e Perego, também batizada de Jolly e que durou até 1974 quando foi fechada, mas em 1971 Piero já havia parado de correr, após mais de 50 brilhantes participações em provas pelo Brasil inteiro.
Foi presidente da APVC (Associação Paulista de Volantes de Competição) de 1965 a 1966 e também da C.B.A. (Confederação Brasileira de Automobilismo) de 1987 a 1991. Sua administração foi sempre voltada à organização do esporte e não à política.
No final da década de oitenta, Piero ajudou a prefeitura de São Paulo a trazer o G.P. de F1 e na reforma do autódromo de Interlagos. Era também membro da Comissão de F1 da F.I.A. na França, e foi decisivo para a vinda da Fórmula 1 para São Paulo: foi
Premiação na APVC/65 à Paris, convenceu Jean Marie Ballestre (então presidente da F.I.A.) que seria melhor a competição em São Paulo, pois o Rio de Janeiro não oferecia mais segurança para os pilotos e conforto para o público, e não tinha intenções de investir na melhoria das condições do autódromo. De madrugada (no Brasil), ligou da França avisando à então Prefeita de São Paulo, Luiza Erundina, emocionado, que estava tudo certo. Nessa empreitada contou com a colaboração de Thamas Rohonyl, representante de Bernie Eclestone no Brasil. Com isso, em dezembro de 1989, deu-se início a uma grande reforma no autódromo. Foram construídos novos: 23 boxes, sala de imprensa, torre de cronometragem, um centro médico e a pista foi diminuída para 4.325 m. Graças a Piero Gancia o Brasil e São Paulo fazem parte do calendário da Formula 1.
Piero foi o primeiro representante do grupo Ferrari no Brasil, conseguiu a autorização com o comendador Enzo Ferrari em pessoa. Entre os anos 1960 e1970, muito embora a importação fosse proibitiva devido à elevada alíquota de importação, ele trazia os esportivos para o país.
Por volta de 1970, em função da fusão da Martini com a Gancia na Itália, Piero passou a presidente da Martini-Rossi no Brasil, cargo que exerceu por 25 anos. Hoje, além de vice-presidente do Automóvel Clube Paulista, é presidente do Fã Clube Ferrari do Brasil. Ainda dirige, e muito bem!
Affonso Giaffone e do Hélio Castro Neves aos EUA. Foi sócio da Forti Corse (Notem a foto do amigo Celso Lara e da Forti F-1, Membro do Conselho Mundial da FIA e representante da IRL Barberis na parede do escritório)
e da Indianápolis Motor Speedway para o Brasil e para a Europa.
Como se vê, o nome Gancia está estreitamente ligado ao automobilismo brasileiro.
Acometido do Mal de Alzeimer, Piero sofreu com a doença por pouco mais de dois anos vindo a falecer no dia 1 de novembro de 2010.