Josef Newgarden fez história de novo nas 500 Milhas de Indianápolis, numa corrida de intensas disputas, vários acidentes, trocas de posição alucinantes e um duelo final inesquecível. O norte-americano faturou o bicampeonato da prova mais importante do automobilismo e levou a Penske a 20 conquistas, após superar o mexicano Pato O'Ward na última volta, por fora, em manobra consagradora.
Aí, manteve sua marca registrada, atravessou a cerca e foi para a galera. Comemorou nos braços dos torcedores, percorreu mais de um ponto da arquibancada e voltou de sua apoteose para subir ao pódio. Uma grande festa, digna da homenagem ao brasileiro Gil de Ferran, que também com a Penske venceu a Indy 500, em 2003.
O'Ward transformou um carro complicado o mês todo num concorrente a vitória e usou tudo que podia para tentar vencer e levar a primeira do México. Mas com mais ação, Newgarden teve o sangue frio e a precisão para levar a melhor. A cinco voltas do fim, Pato passou pela primeira vez, estudando os movimentos. Newgarden devolveu na seguinte.
O'Ward "cozinhou o rival" e evitou passar na penúltima volta para fazer seu ataque na passagem final. Dito e feito, saiu do vácuo e na reta principal abriu a última volta como líder. Parecia que ia estilingar, mas Newgarden conseguiu a retomada e se atirou por fora para passar e disparar para o bicampeonato na reta final. Duas atuações brilhantes, só um podia vencer.
A prova, que começou com quatro horas de atraso por conta de temporais em Indianápolis, parecia nem ter 500 Milhas, pois todos atacaram o tempo todo. Logo na volta um, Tom Blomqvist botou a roda na grama, errou sozinho e tirou da contenda Marcus Ericsson e o brasileiro Pietro Fittipaldi.
Na relargada, o pole Scott McLaughlin manteve o controle e tinha as outras Penske de Newgarden e Power em formação num aparente domínio. Alex Rossi e Santino Ferrucci perseguiam, mas ainda sem atacar. Hélio Castroneves fez ótimo stint inicial e ganhou quatro posições.
Veio a primeira bandeira amarela com o primeiro motor Honda quebrado, de Marcus Armstrong. Quase todo mundo antecipou a parada, Castroneves que já era 13º perdeu seis posições, numa tônica que seguiria na corrida, de erros nos pits da Meyer Shank.
Lá na frente a hegemonia da Penske seria quebrada a partir do terceiro stint. Antes, Linus Lundqvist achou o muro, Felix Rosenqvist quebrou motor e Katherine Legge também ficou pelo caminho. Colton Herta, candidatíssimo a vencer, errou no vácuo, quase segurou, mas acertou o muro e terminou com suas chances. Dixon e O'Ward aproveitaram para fazer funcionar uma tática alternativa e se colocarem na concorrência. Na tática normal, a briga era de Newgarden, McLaughlin e Alex Rossi.
Castroneves chegou a estar nessa balada, escalando o grid com confiança e ótimas ultrapassagens, por fora em Sato e Rasmussen e com algumas brigas complicadas com Canapino e a estrela da Nascar Kyle Larson. Larson, que esteve no top 10 quase o tempo todo, botou tudo a perder ao passar da velocidade máxima dos pits.
Só que Will Power bateu no fim e antecipou mais uma janela de pits. E a Shank voltou a se perder, além de não achar um acerto para o stint final de Helio, quando a temperatura baixou. O brasileiro perdeu 11 segundos nos pits e não teve mais ritmo para se recuperar. Finalizaria em 20º.
Lá na frente, Dixon virou lider, mas sem todo ritmo dos Chevrolet. Rossi tentou liderar, mas com o combustível mais esticado, logo teve de ceder espaço à outra McLaren. O'Ward foi então para o ataque total a Newgarden. Passou a cinco voltas, tomou o troco, ensaiou seu ataque total na última, mas levou o troco e vai ter que esperar mais um ano para fazer história.
Dixon completou os três primeiros para a Ganassi. Rossi e Palou vieram no top five. McLaughlin um frustrado sexto, seguido de Kyle Kirkwood que ainda salvou um top ten para a Andretti. Ferrucci, Veekay e Daly completaram os dez primeiros.
Uma corridaça contra os elementos gerou um dia memorável na Brickyard.
